Harry
Callahan e Aaron Siskind
Em 1946, ano da morte de László
Moholy-Nagy, Harry
Callahan começou a ensinar fotografia no Institute of Design em Chicago. A
escola, fundada nove anos antes como New
Bauhaus, mantinha a experimentação como parte importante de seu programa de
ensino.
Callahan, cuja formação fotográfica havia ocorrido fora do ambiente
acadêmico, assumiu a direção do departamento de fotografia em 1949. Dois anos
depois, convidou Aaron Siskind
para integrar o corpo docente. Os dois trabalharam juntos até 1961, quando Callahan
deixou Chicago para ensinar na Rhode Island School of Design (RISD). Siskind
permaneceu até 1971, quando também se transferiu para a RISD.
Os dois chegaram no Institute of Design com experiências e
interesses diferentes. Enquanto Callahan explorava assuntos recorrentes, como
sua família, as ruas da cidade e a natureza utilizando técnicas variadas,
Siskind desenvolvia uma linguagem voltada para a abstração, encontrando
composições em paredes, cartazes rasgados, superfícies e objetos comuns. Apesar
dessas diferenças, os dois compartilhavam o interesse pela fotografia como meio
de expressão pessoal. Seu objetivo como
professores era incentivar os alunos a investigar as possibilidades do meio e
desenvolver uma linguagem própria.
O programa de fotografia preservava aspectos da proposta
pedagógica de Moholy-Nagy, especialmente a experimentação com luz, materiais e
percepção visual. Os estudantes realizavam exercícios com fotogramas,
profundidade de campo e enquadramentos, além de atividades destinadas a
desenvolver a observação e a interpretação visual. Entre elas estavam
fotografar letras do alfabeto encontradas no ambiente, identificar formas em
plantas e representar a presença humana sem mostrar diretamente uma pessoa.
Outra característica importante era o trabalho em séries, que incentivava os
alunos a investigar um mesmo assunto durante períodos prolongados, em vez de
produzir apenas imagens isoladas.
O ensino também incluía trabalhos documentais coletivos.
Siskind, que havia coordenado projetos desse tipo durante sua participação na
Photo League, continuou a orientar investigações fotográficas sobre a cidade e
sua arquitetura.
Durante os anos em que trabalharam juntos, o instituto formou
fotógrafos importantes como Ray K. Metzker, Kenneth Josephson e Charles
Swedlund. Outros nomes importantes ligados à escola incluem Yasuhiro Ishimoto e
Barbara Crane. A contribuição dos dois professores foi ajudar a consolidar um
ensino que valorizava a pesquisa individual e a fotografia como prática
artística. A experiência do Institute of Design mostra como algumas ideias
originadas na Bauhaus foram transformadas nos Estados Unidos: a experimentação
defendida por Moholy-Nagy passou a conviver com uma preocupação crescente com a
expressão pessoal do fotógrafo.


Fotografias de Callahan
à esquerda e Siskind à direita.




LEITURAS E VÍDEOS RECOMENDADOS
- Forming a New Bauhaus (Insitute fo Design Illinois Tech)
- Institute of Design (WTTW – Art & Design in Chicago)
- Photographers at the New Bauhaus (MoCP – Museum of Contemporary Photography)