“Já disse isso antes: eu adoro olhar o meu próprio
trabalho e, em geral, não gosto de olhar o trabalho dos outros. Há exceções,
como Lee Friedlander, mas estes não nascem em árvores.”
William Eggleston é um fotógrafo conhecido por seus
registros no sul dos EUA, onde nasceu e ainda vive e por legitimar o uso da cor
na fotografia artística. Desde os anos 1960 fotografou cenas cotidianas utilizando
o processo dye-transfer, que resultava em impressões de cores densas e
saturadas. Há quem o ame e quem o odeie, naturalmente – talvez seja um gênio,
talvez o fotógrafo mais superestimado que já existiu. Definia sua abordagem
como democrática: para ele todas as coisas eram iguais e tinham o mesmo valor
para serem fotografadas.
Antes dele, fotógrafos como Irving Penn e Edward Weston
já tinham voltado suas câmeras para elementos banais, como pontas de cigarros e
pimentões. A diferença é que trabalhavam essas imagens em estúdio, construindo
atmosferas cuidadosamente controladas, quanto Eggleston aproximava-se
mais de um fotógrafo vernacular, que tirava snapshots por onde passava.
Eggleston nasceu em 1939 em
Memphis, no Tennessee, mas cresceu na fazenda de algodão da família, na pequena
cidade de Sumner, no Mississippi.Era filho de um engenheiro e neto de um
importante juiz local, começou a fotografar no final dos anos 1950, enquanto
estudava na universidade Vanderbilt e ganhou uma Leica de presente de um amigo.
No início, suas influências eram Robert Frank e Henri Cartier-Bresson, mas logo abandonou a fotografia preto-e-branco para se dedicar à fotografia em cores por incentivo de William Christenberry. Conheceu John Szarkowski em 1969, que descreveu seu trabalho como “uma pilha de revelações coloridas de farmácia”. Ainda assim, Szarkowski acabou convencendo o comitê de fotografia do museu a comprar uma de suas imagens.
E em 1976, Szarkowski
foi o curador da exposição Color Photographs, no MoMA, considerada um divisor
de águas na carreira de Eggleston. A mostra costuma ser citada como a primeira
individual de fotografia colorida no museu, embora em 1962 já tivesse ocorrido
uma exposição de Ernst Haas. A recepção foi dividida e gerou debate tanto pela
ousadia de apresentar fotografia colorida como arte, quanto pela banalidade de
seus temas. Com o tempo, o reconhecimento veio e a exposição contribuiu para
mudar a percepção da fotografia em cores.
Egggleston também se dedicou à música e ao cinema, colaborando com
artistas como David Byrne. Atualmente há uma exposição em cartaz na galeria
David Zwirner, em Nova York, apresentando suas últimas impressões em
dye-transfer.
VÍDEOS INTERESSANTES:
- William Eggleston: The Last Dyes (David Zwirner);
LEITURAS
INTERESSANTES
- William Eggleston Foundation;
- Perfil de Eggleston no site de leilões Phillips;
- O ponto de vista de Eggleston em Graceland: a ausência de Elvis (Artforum);
- William Eggleston: The Last Dyes (David Zwirner);
- 10 Lições que William Eggleston me ensinou sobre fotografia de rua (Eric Kim);
- Fotografias de William Eggleston (exposição de 1976 no MoMA).