“A fotografia me fascinou primeiro como uma brincadeira,
mas tornou-se uma paixão e depois uma obsessão”.
Alfred Stieglitz (1864-1946) foi um fotógrafo e promotor de arte norte-americano que, em seus mais de cinquenta anos de carreira, foi instrumental para tornar a fotografia uma forma de arte aceitável. Foi associado ao movimento pictorialista na Europa, depois nos Estados Unidos. Tinha o verdadeiro espírito renascentista em plena modernidade e cultivava uma série de vocações: era, além de um exímio fotógrafo, escritor, editor de revista, mentor e ficou conhecido pelas galerias de arte que manteve em Nova York no início do século XX, através das quais introduziu uma série de artistas europeus de vanguarda ao público americano. Seu nome era respeitado tanto no mundo da arte moderna quanto na fotografia e, apaixonado e contraditório, inspirava amor e ódio em medidas iguais.
Nasceu em Hoboken, Nova Jersey, filho de imigrantes judeus
alemães. Preparou-se para estudar engenharia, mas seu pai fechou os negócios
que tinha nos EUA e transferiu a família para a Alemanha. Stieglitz
matriculou-se na escola técnica de Berlim, onde teve seu primeiro contato com
revelação fotográfica, mas em vez de se dedicar ao curso, passava o tempo
visitando museus e galerias. Comprou sua primeira câmera e começou a
fotografar. Quando seus pais retornaram aos Estados Unidos, Stieglitz, com
vinte anos, ficou na Europa, viajando pelo continente e fotografando. Nesse
período, envolveu-se com o pictorialismo e se tornou o primeiro membro
americano da Linked Ring.
Voltou para os Estados Unidos em 1890 e, após um breve
envolvimento com o Camera Club de Nova York, fundou o movimento americano de
Foto-Secessão para, além de definir os rumos da fotografia artística, libertá-la
das amarras restritivas da época e do domínio do clube. Após a consolidação do
movimento, passou a atuar de forma mais decisiva como articulador cultural. Em
1903, criou a revista Camera Work, que rapidamente se tornou o principal
veículo de difusão da fotografia como arte nos Estados Unidos. Com o apoio de
Edward Steichen, abriu a galeria 291, incialmente dedicada somente à fotografia,
mas que passou a expor também arte moderna europeia, introduzindo ao público do
país nomes como Henri Matisse, Pablo Picasso e Paul Cézanne. Após o
encerramento da 291 em 1917, manteve outros espaços expositivos como a Intimate
Gallery e An American Place, continuando a promover artistas e a consolidar a
fotografia no circuito institucional.
Sua produção fotográfica passou por mudanças que o afastaram do pictorialismo em direção a uma abordagem direta, o que se intensificou após seu contato com Paul Strand, a quem dedicou o último número inteiro da Camera Work. Stieglitz casou-se com Georgia O’Keeffe em 1924 e promoveu intensamente suas obras nas décadas seguintes. Apesar de ter desejado ser conhecido como fotógrafo, grande parte de sua energia foi dedicada à organização e promoção da fotografia e arte moderna. A coleção de Stieglitz foi a base do acervo de arte moderna do Metropolitan Museum of Art. Ao longo de sua trajetória, Stieglitz desempenhou papel central na legitimação da fotografia como forma de arte nos Estados Unidos.
Autorretrato,
1886
The Last
Joke, Bellagio (Itália),1887. Foi sua primeira fotografia a ter um
reconhecimento porque ganhou a competição da revista britânica Amateur
Photographer.
The Terminal, 1893
A wet day
on the boulevard, Paris, 1894
A Venetian Gamin, 1894.
Unloading, 1894. Uma série menos conhecida de Stieglitz foi a de barcos de pesca na costa da Holanda, em Katwyjk. Ele tirou essas fotos durante sua lua-de-mel na Europa com sua primeira esposa.
Gossip,
1894
The Net
Mender, 1894
A wet day
on the boulevard, Paris, 1894
Reflections,
Venice, 1897.
Capa da publicação Camera Work nº2, de abril de 1903
A terceira classe, 1907.
Alfred and Kitty Stieglitz, 1907 – pode ser de Stieglitz ou
de Steichen
Frank Eugene, Alfred Stieglitz, Heinrich Kuhn e Edward
Steichen admirando uma obra de Eugene, 1907.
Paris, a snapshot, 1911
Two Towers, New York, 1911
Grand
Central Terminal, New York, 1930
Georgia
O’Keeffe, 1920
Com Georgia O’Keeffe
VÍDEOS E LEITURAS RECOMENDADAS:
- Documentário sobre Stiglitz;
- Artigo de Stieglitz de 1899 a respeito da fotografia pictorial;
- As práticas e processos de Stieglitz;
- Alfred Stieglitz and the landing of
the boats;
- Página sobre Sieglitz no Metropolitan Museum;
- Artigo sobre os Equivalentes (conjunto de fotografias que Stieglitz tirou de nuvens por alguns anos);