Tuesday, June 16, 2026

OS RETRATOS DE DUANE MICHALS

 Self-Portrait in Bathroom, Amsterdam, 1960s © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Autorretrato no banheiro, Amsterdam, c. 1960

"Os fotógrafos tendem a não fotografar aquilo que não conseguem ver, o que é justamente a razão pela qual deveriam tentar fazê-lo. Caso contrário, continuaremos para sempre fotografando mais rostos, mais cômodos e mais lugares. A fotografia precisa transcender a descrição. Ela precisa ir além da descrição para trazer percepção sobre o assunto, ou revelar o assunto não como ele parece, mas que sentimento passa.”

Duane Michals (1932-2026) ficou mais conhecido por suas séries fotográficas e pelo uso de textos escritos à mão, que iam muito além de uma simples legenda ou descrição. Em suas fotografias, palavras e imagens se misturavam para contar histórias, explorar dúvidas ou dar forma às indagações que ocupavam sua mente.

No entanto, há um outro lado de sua produção que merece atenção: seus retratos. Conhecido por suas sequências sobre fantasmas, morte e metafísica, Michals também fazia algo incomum diante da câmera, transformando retratos e autorretratos em pequenos exercícios de imaginação. Ao longo da carreira, fotografou artistas, escritores, músicos e atores para revistas, livros, capas de discos e projetos pessoais, produzindo algumas das imagens mais memoráveis de sua geração.

Ele refletia profundamente sobre o que significa fazer um retrato. Em um texto bem-humorado publicado por ocasião do lançamento de seu livro Portraits, em 2017, dividiu a fotografia de retrato em quatro categorias: o retrato tradicional, em que a pessoa simplesmente encara a câmera; o retrato em prosa, que procura revelar algo do personagem por meio de uma pequena narrativa; o retrato anotado, acompanhado de observações escritas; e o retrato imaginário, construído a partir de sua própria imaginação. É fácil reconhecer essas ideias em seu trabalho. Em vez de se contentar com a aparência de seus retratados, Duane frequentemente os colocava em ambientes cuidadosamente escolhidos ou criava pequenas situações que dialogavam com suas personalidades, suas obras e suas contradições.

Seus autorretratos seguem a mesma lógica. Neles, não aparece apenas como fotógrafo, mas como personagem de suas próprias especulações. Envelhecimento, memória, identidade, desejo e mortalidade surgem em imagens que misturam encenação, humor e reflexão. Ao olhar hoje para seus retratos e autorretratos, fica claro que Michals nunca esteve particularmente interessado em mostrar como alguém parecia. O que lhe interessava era sugerir quem aquela pessoa poderia ser, ou quem ela se tornava quando passava pelo filtro de sua imaginação.

David Hockney and friend, 1975 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

David Hockney e seu amigo, 1975

Duane Michals and Robin Williams, c. 1980 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Duane Michals and Robin Williams, c.1980

Johnny Cash, 1970s © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Johnny Cash, c. 1970

Self Portrait as Someone Else, 1973 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Autorretrato como outra pessoa,1973

Sting, 1982 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Sting, 1982

René Magritte, 1965 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

René Magritte, 1965

Jasper Johns, 1972 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Jasper Johns, 1972

Susan Sontag, 1959 © 2017 Duane Michals / Courtesy Thames & Hudson

Susan Sontag, 1959

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