“Se você leva a fotografia a sério, deve estudar as artes
clássicas — é preciso ter senso de composição. É importante encontrar
substância nas imagens: significado, conteúdo. Você pode fazer algo fascinante,
divertido e tecnicamente brilhante, mas, se não for pessoal, perde o que torna
a fotografia interessante.”
Elliott Erwitt (1928-2023)
foi um fotógrafo franco-americano conhecido principalmente por sua fotografia
de rua em preto e branco. Seus registros bem-humorados, mas profundamente
observadores, revelavam pequenos momentos de ironia e absurdo em situações
corriqueiras. Ao longo de uma bem-sucedida carreira como fotojornalista e
fotógrafo comercial, teve mais de 25 livros publicados, recebeu prêmios
importantes e foi membro da Magnum Photos, tendo sido presidente da cooperativa
por alguns anos. O ingresso de Erwitt foi defendido por Robert Capa, um dos
fundadores, que via em seu humor benevolente uma continuidade da tradição humanista
da agência.
Erwitt nasceu em Paris, em
uma família de origem russa, passou a infância em Milão e imigrou com a família
para os EUA ainda adolescente. Ganhou um câmera e começou a fotografar o mundo ao
seu redor – conhecidos, familiares, cenas do cotidiano. Mudou-se para Nova York, onde conheceu Roy Stryker, líder da Farm Security Administration (FSA) e uma figura
central na fotografia documental americana, que o contratou para seu primeiro trabalho.
Ingressou na Magnum em 1953, época em que trabalhava como
freelancer para revistas como a Life, a Collier’s e a Look. Sua carreira
durou mais de 75 anos e, além do fotojornalismo, também atuava como fotógrafo
comercial e de publicidade. Fez retratos de celebridades consagradas como
Marilyn Monroe, Andy Warhol e Clark Gable. Apesar do reconhecimento, afirmava
que, dentre suas fotografias, muitas preferidas eram fotografias de rua – que
considerava seu hobby.
Nos anos 1970 e 1980 começou a trabalhar no cinema.
Produziu vários documentários e filmes de comédia para o canal HBO. Nessa época
serviu alguns anos como presidente da Magnum.
Faleceu aos 93 anos, enquanto dormia, em sua casa em Nova
York.
ERWITT E OS CÃES
“Sou fotógrafo por profissão e por vocação. Quando saio de
casa, levo comigo uma câmera pequena e fotografo obsessivamente o que me
interessa acho que possa render uma boa imagem. Não saio especificamente para
fotografar cães, mas de alguma forma, eles começaram a aparecer em grande
quantidade nas minhas folhas de contato. Evidentemente, minha afinidade com
esses animais é mais profunda do que imaginava.” (Magnum
Photos – The Year of the Dog Dogs)
Paris, França, 1989
USA, NYC, 1946
New York, USA, 2000
New York, USA, 1974
“Eu estava dentro da cozinha, livre para me movimentar, e
eles simplesmente se aproximaram da grade - então foi como atirar em peixes
dentro de um barril.” – Elliott Erwitt
Em julho de 1959, foi realizada a Exibição Nacional Americana no Parque Gorky em Moscou. Erwitt estava em um trabalho comercial para a fabricante de geladeiras Westinghouse, participante da feira. Como de costume, levava consigo sua câmera pessoal e, quando estava dentro do mostruário de uma cozinha da Macy's, a comitiva do premier Nikita Khrushchev chegou acompanhada do vice-presidente americano Richard Nixon.
Os dois estavam em uma discussão acalorada sobre os
méritos do comunismo e do capitalismo – episódio que ficaria conhecido como
“The Kitchen Debate”. Erwitt registrou esse momento, que se tornaria o símbolo
da tensão entre as duas potências.
A fotografia mostra a linguagem corporal de Nixon como
ousada e confrontacional, com seu dedo apontando para o peito de Khrushchev.
Para o público americano, a cena representava os Estados Unidos enfrentando o
poder soviético, transmitindo a ideia de que Nixon sustentava sua posição
diante de líderes estrangeiros. A imagem foi utilizada em sua campanha
presidencial de 1960, na qual acabou derrotado.
Do site
da Magnum – Behind the Image: The Kitchen Debate
Nikita Khrushchev e Richard Nixon. Moscou, URSS. 1959.
FOTOGRAFIAS COLORIDAS
Além do estupendo trabalho em preto-e-branco que o imortalizou, Erwitt deixou um enorme acervo de fotografias coloridas. “Normalmente, prefiro fotografar em preto e branco para meus trabalhos pessoais. Mas, depois de examinar extensivamente minhas imagens em cores, tornei-me menos dogmático. No fim das contas, o que importa é apenas a qualidade das fotografias”, afirma.
Em 2013 foi publicado o livro Elliott Erwitt's Kolor, pela TeNeues, com fotografias selecionadas de um arquivo contendo meio milhão de slides Kodachrome e filme Ektachrome, tiradas durante um período de 50 anos, compostas de trabalho comercial e imagens pessoais. Os preparativos do livro consistiram em Erwitt trabalhando com três assistentes por seis meses para escolher as 400 imagens que compõem o livro.
"Kolor" com K é uma homenagem simpática a George Eastman e à Kodak.
Marilyn Monroe durante as filmagens de Os Desajustados,
Reno, EUA, 1960
GALERIA DE FOTOS
Pittsburgh, Pennsylvania, EUA, 1950
Pittsburgh, Pennsylvania, EUA, 1950
Pittsburgh, Pennsylvania, EUA, 1950
Pittsburgh, Pennsylvania, EUA, 1950
Wall Street, New York, EUA, 1955
California, EUA, 1955
New York, EUA, 1956
Reno, Nevada, EUA, 1960 (bastidores do filme The Misfits)
Paris, França, 1966
Rio de Janeiro, Brasil, 1963
Hungria, 1964
Nova York, EUA, 1988 (a criança da foto é Amy, filha de
Erwitt)
Paris, França, 1988 (Fotógrafos da Magnum)
Paris, França, 1989 (aniversário de 100 anos da Torre
Eiffel)
Birmingham, Inglaterra, 1991
LEITURAS RECOMENDADAS:
- Elliott Erwitt’s Pittsburgh (Magnum Photos);
- Elliott Erwitt’s iconic Magnum photography (The Guardian)
- Elliott Erwitt, coloring outside the lines (Lens)