Monday, June 1, 2026

DOUBLE LIFE | KELLI CONNELL

 Chicago photographer Kelli Connell steps into the frame with expansive  Elmhurst show - Chicago Sun-Times

“Busco uma leitura complexa do meu trabalho. Tenho dificuldade em acreditar que uma única fotografia, sozinha, seja suficiente para encerrar uma ideia.”

Kelli Connell (1974) é uma fotógrafa e professora no Columbia College Chicago, cujo trabalho artístico se destaca por investigar temas como identidade, gênero e fluidez das dinâmicas de relacionamento através de retratos detalhadamente construídos. Estudou fotografia nas universidades North Texas e Texas Woman’s e, ainda jovem, passava horas analisando fotolivros como os de Larry Clark, Larry Sultan, Nan Goldin e William Eggleston. Sentia-se especialmente atraída pela fotografia de Francesca Woodman. Entre seus projetos mais conhecidos estão Double Life, que é o assunto desta postagem, e Pictures for Charis.

Iniciada em 2002, a série Double Life aparenta, a princípio, dizer respeito à documentação de um relacionamento amoroso entre duas mulheres, mas após olhar algumas imagens o observador percebe que as duas figuras presentes são a mesma pessoa. A modelo e artista visual Kiba Jacobson interpreta todos os papéis nas cenas construídas por Connel que posteriormente são combinadas digitalmente em uma mesma fotografia.

As fotografias têm uma atmosfera um tanto misteriosa: as personagens não fazem contato visual com a câmera e parecem estar sempre no meio de alguma atividade, como se fosse uma cena retirada de um filme. Os ambientes são ao mesmo tempo silenciosos e tensos, como se elas estivessem isoladas do mundo em meio a um segredo.  

Nas exposições, as fotografias costumam ser montadas em tamanho grande (pelo menos 75 x 100 cm). No início, Connell trabalhava com filme, usando uma câmera Pentax de médio formato posicionada em um tripé. Organizava a cena, fotografava Jacobson em diferentes posições e agia como um stand-in quando necessário. Realizava várias exposições até encontrar uma combinação convincente de gestos, olhares e linguagem corporal. Em seguida os negativos eram escaneados e combinados no Photoshop para criar uma imagem final.

A série funciona como uma investigação autobiográfica sobre sexualidade, identidade e as múltiplas versões de nós mesmos que coexistem dentro da experiência humana. Algumas imagens inclusive sugerem que apenas uma das mulheres é real e a outra fosse fruto de sua imaginação. É um trabalho que pode ser lido de maneiras diferentes. É onde a série se torna mais interessante do que um simples exercício envolvendo Photoshop. Desde a época de Henry Peach Robinson nos primórdios do pictorialismo, existe a ideia de que o fotógrafo deve lançar mão de todos os recursos para chegar ao resultado desejado, seja componto as cenas antes do clique do obturador, seja manipulando a fotografia posteriormente. No caso de Double Life, a montagem não é uma tentativa de enganar o observador ou obter perfeição, mas a admissão de algo que sempre esteve presente na fotografia: mesmo imagens encenadas e manipuladas continuam sendo absorvidas, em um primeiro momento, como registros verdadeiros pelo simples fato de serem fotografias.

Columbia Photography Professor Kelli Connell on Her Passion for the Art of PhotographyThe New York Times > Arts > Image >Manipulation of Reality in ImagesDouble Life — Kelli ConnellLos Angeles, Kelli Connell: Double life - The Eye of Photography MagazineKelli Connell: Double Life | ExhibitionKelli Connell: Double Life, 20 Years – The Alice Austen House MuseumKelli Connell: Double Life | Catherine Edelman GalleryDouble LifeChicago artist explores shifting identities in 'Living With Modernism: Kelli  Connell' at Elmhurst Art MuseumChicago artist explores shifting identities in 'Living With Modernism: Kelli  Connell' at Elmhurst Art MuseumDouble Life”, una serie fotografica di Kelli ConnellKelli Connell Double Life Archives - Blog Julia Luckett Photography

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