"Sou obcecado pela beleza. Quero que tudo seja perfeito e, claro, não é. E é um lugar difícil de se estar porque você nunca fica satisfeito."
Robert Mapplethorpe (1946-1989) foi um fotógrafo americano conhecido por seus retratos, nus e naturezas-mortas marcados pelo rigor estético e por referências à tradição clássica. Sua obra explora o corpo, a sexualidade e a identidade e, ao longo de sua carreira, tornou-se uma figura central na fotografia contemporânea, tanto pelo refinamento visual quanto pelos debates que seu trabalho provocou sobre censura e liberdade artística.
Nascido no
Queens, em Nova York, e criado em uma família católica, estudou design e artes
e, no início de sua trajetória, dedicou-se à criação de joias, desenhos e
colagens, que tinham como inspiração artistas como Marcel Duchamp e Joseph
Cornell. Comprou uma Polaroid com o objetivo de incorporar fotos suas nessas
colagens, mas raramente fazia isso. Aos poucos a fotografia deixava de ser um
suporte para se tornar o centro de sua prática. Sua primeira exposição
individual foi realizada na galeria Light, em 1973, na qual essas Polaroids
foram exibidas. Foi nesse período que conheceu a cantora Patti Smith, com quem
foi morar no Chelsea Hotel, um conhecido reduto de artistas.
A partir da
segunda metade da década e 1970, se envolveu cada vez mais com a cena
underground de Nova York, em especial com a cultura BDSM e passou a produzir um
trabalho que confrontava os limites do que era aceitável no campo artístico. Se
envolveu com Sam Wagstaff, que tinha o dobro de sua idade, e foi um grande
mentor e patrocinador do seu trabalho. O apoio financeiro de Wagstaff permitiu a
Mapplethorpe expandir sua prática fotográfica para incluir retratos de famosos
da época, como músicos, artistas e socialites.
Na década de
1980 fez um projeto em colaboração com a fisioculturista Lisa Lyon, que
resultou em um filme e no livro Lady Lisa Lyon (1983). Nele, o corpo feminino
aparece simultaneamente como escultura e performance. Também realizou The Black
Book, um conjunto de fotografias de homens negros que foi alvo de críticas,
tanto por questões raciais quanto pela objetificação de seus corpos. Colaborou para
a revista Interview, de Andy Warhol, tirando fotos que ilustraram algumas
matérias. Mapplethorpe transitava entre o underground explícito e o
establishment artístico e midiático e isso fortaleceu seu trabalho.
Foi
diagnosticado com AIDS em 1986, quando acelerou seu esforço criativo para dar
continuidade a seus projetos. Nessa época se destacou por suas belas
naturezas-mortas e autorretratos. Contratou uma jornalista para escrever sua
biografia e criou a fundação Robert Mapplethorpe para ser “o veículo apropriado
para proteger seu trabalho, dar continuidade a sua visão criativa e promover
causas com as quais se importava”. Essa fundação cuida de seu acervo e já
arrecadou e doou milhões de dólares para pesquisa e luta contra a AIDS. Em 2011,
doou seu acervo para o Getty Research Institute. Mapplethorpe faleceu em 1989,
aos 42 anos, em decorrência de complicações da doença.
Logo após sua morte, foi realizada a exposição The Perfect Moment, que continha fotografias do X Portfolio e foi um episódio explosivo na história da arte recente dos EUA. Quando a exposição chegou ao Contemporary Arts Center, em 1990, grupos conservadores e religiosos atacaram publicamente o uso de verba pública para financiar instituições que exibissem esse tipo de trabalho.
Deixou como legado a consolidação da fotografia de estúdio marcada pelo rigor na forma, composição e luz, aproximando a tradição clássica a temas contemporâneos. Seus retratos, nus e naturezas-mortas operam sob a mesma lógica formal, estabelecendo uma unidade rara na produção fotográfica. Ao levar para o centro do circuito artístico imagens de sexualidade explícita, ajudou a normalizar esses temas como parte legítima da arte, não como exceção. Sua atuação também reforçou a presença das fotografias no mercado e nas instituições, contribuindo para sua legitimação como linguagem central na arte contemporânea.
COM PATTI SMITH:
COLAGENS:
1965-73
1968
1968
Patti Smith em 1975
Grace
Jones
Patti
Smith
Madeleine
Stowe
Iggy Pop
Jordana, 1983
Ken Moody, 1983
Donald Cann, 1982
Andy Warhol, 1987
LISA LYON
FLORES
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