Monday, May 4, 2026

A FOTOSSECESSÃO AMERICANA E A REVISTA CAMERA WORK

 Frank Eugene - Stieglitz, Steichen, Smith and Kuehn Admiring the Work of  Frank Eugene - The Metropolitan Museum of Art

Eugene, Stieglitz, Kuhn and Steichen admiring the work of Frank Eugene. 1907

“A fotografia americana será o tom dominante do mundo, a não ser que os outros se mexam.” Declarou Alfred Horsley Hinton (1863-1908), fotógrafo inglês e editor da revista Amateur Photographer a complementando que as fotografias da Fotossecessão, sob a batuta de Alfred Stieglitz, já tinham conquistado os lugares mais altos na estima do mundo civilizado.

Alfred Stieglitz (1864-1946) foi o responsável por criar um movimento americano de Secessão, com a intenção de oferecer à fotografia artística um rumo a seguir. Os fotossecessionistas acreditavam que o significado dela não estava em sua realidade objetiva, mas na visão subjetiva do fotógrafo. Tinham como propósito mostrar que a fotografia era uma entidade autônoma que não deveria imitar a arte do passado, mas ser a forma de arte principal do século XX e além.

Em 1890, Stieglitz retornou aos EUA após sua temporada na Europa e tornou-se editor da revista American Amateur Photographer, vice-presidente do Camera Club de Nova York e, dentro dele, editor da Camera Notes, em parte financiada por ele próprio. Não demorou para começar a ter atritos com outros gestores do clube e ele renunciou à sua diretoria depois de alguns anos. Quando isso aconteceu, já tinha se cercado de um grupo que o apoiava, com nomes como Edward Steichen (1879-1973), Frank Eugene (1865-1936) e Alvin Langdon Coburn (1882-1966), Clarence H. White (1871-1925), e Gertrude Kasebier (1852-1934).

Em 1902 produziu uma exposição intitulada “Fotografia Pictorialista Americana Organizada pela Fotossecessão” e foi a primeira vez que esse nomo foi usado em público para definir o grupo. Lançou então a revista Camera Work para acompanhar o movimento, publicando seu primeiro número no ano seguinte.

A Camera Work era financiada, editada e projetada, em grande parte pelo próprio Stieglitz, com contribuição criativa de Steichen, que tinha bons contatos e boas ideias. A revista era finamente produzida, com fotogravuras das ilustrações preparadas à mão e tinha preço elevado. Começou com uma tiragem de 1000 cópias, mas quando a arte moderna começou a tomar o lugar da fotografia pictórica em suas páginas, a tiragem teve que ser reduzida pela metade. Quando fechou, a revista tinha apenas 36 assinantes. 

Em outubro de 1910, a galeria de arte Albright, em Buffalo, Nova York, exibiu a aclamada “Exposição Internacional de Fotografia Pictorialista”, com trabalhos de 600 fotógrafos, em sua maioria eram membros da Fotossecessão, que atraiu 15 mil visitantes em um mês. A galeria também comprou fotografias do movimento para a sua coleção, sendo a primeira instituição americana a fazê-lo.

A estética em evolução de Stieglitz o levou rumo à vanguarda europeia e ele voltou-se ao modernismo, ao cubismo e ao expressionismo na arte e, com isso, afastando-se do pictorialismo na fotografia. Entre 1909 e 1917, apenas seis das 61 exposições na sua galeria 291 apresentaram fotografias. Os grupos secessionistas europeus começaram a se fragmentar e a 1ª Guerra tornou difícil a compra de material para produzir a revista. Camera Work teve apenas mais uma edição que apresentou as fotografias puras e diretas de Paul Strand, que em nada se comparavam às suas origens pictorialistas.

Alfred Stieglitz – Wikipédia, a enciclopédia livre

Alfred Stieglitz (1864-1946) – autorretrato em autocromo, 1907. Foi um dos nomes mais influentes da fotografia. Além de exímio fotógrafo foi dono de galerias que introduziram a arte de vanguarda europeia nos Estados Unidos, editou a revista Camera Work e fundou o movimento de Fotossecessão. 

Edward Steichen Alfred StieglitzArt Blart _ art and cultural memory archive

Edward J. Steichen (1879-1973) era associado próximo de Stieglitz e trouxe uma perspectiva única para o movimento de Fotossecessão. Além de fotógrafo era também pintor, o que influenciou seu estilo. 

Clarence Hudson White - Wikipedia

Clarence H. White (1871-1925) cresceu no interior de Ohio, nos EUA e, mesmo tendo sido autodidata no aprendizado da fotografia, se tornou em pouco tempo conhecido por suas fotografias pictorialistas. Em 1914, fundou a Clarence H. White School of Photography em Nova York e teve alunos como Paul Outerbridge e Dorothea Lange.

The obverse of a postmarked postcard shows the photographer wearing a dark cape and dress, and hat with plume, leaning over a camera on a street (possibly in Paris).

Gertrude Kasebier (1852-1934) é considerada uma das principais representantes do pictorialismo. Foi conhecida por suas imagens da maternidade e retratos de nativos-americanos e um dos destaques da primeira edição da revista Camera Work.

Alvin Langdon Coburn. Self-Portrait. 1905 | MoMA

Alvin Langdon Coburn, autorretrato, 1905. Superou os limites da fotografia com suas “vortografias”, consideradas uma das primeiras fotografias abstratas. Foi introduzido a essa ideia pelo crítico literário Ezra Pound e ela consistia em usar o que Pound chamou de “Vortoscópio”, um arranjo triangular de espelhos e prismas colocado na frente da lente da câmera e, se afastando da representação fotográfica tradicional, enfatizava a forma, estrutura e abstração. Sua experimentação com essa técnica foi o primeiro passo que o afastou do pictorialismo. 

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