"A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a verem sem câmera." – Paul Strand
Se a fotografia moderna tem um nome que ajudou a definir
seus rumos, esse nome é Paul Strand (1890-1976). Nascido em Nova York,
atravessou quase um século de transformações visuais e sociais, deixando um
legado incontestável. Além de fotógrafos, seu trabalho influenciou cineastas e
artistas plásticos.
Foi aluno de Lewis Hine e, após uma visita que
sua classe fez à galeria 291, Strand passou a levar sua prática fotográfica com
mais seriedade. Associou-se ao Camera Club de Nova York, onde produzia imagens
no padrão do pictorialismo. Alfred Stieglitz, dono da 291, era um nome
influente na época e entre uma variedade de papéis que desempenhava, era editor
da revista Camera Work, considerava uma das melhores publicações sobre
fotografia em sua época. O objetivo inicial da revista era promover o pictorialismo
e os artistas desse movimento, tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.
No entanto, Stieglitz ia pouco a pouco rompendo com a
fotografia pictorialista e adentrando o que o crítico Sadakichi Hartmann chamou
de “fotografia direta”. Ao contrário da primeira, cujos participantes aceitavam
uma variedade de manipulações dos negativos e impressões para obterem o efeito
artístico desejado, a fotografia direta era a saída da câmera, sem edições, um
retrato fiel da realidade. A Camera Work teve 50 edições e a última foi
dedicada integralmente a Paul Strand e seu estilo direto de fotografar. Além
disso, sua primeira exposição individual também tinha acontecido sob curadoria
de Stieglitz na galeria 291.
Strand era eclético e tinha grande habilidade em equilibrar
o documental e o artístico: fazia fotografia de rua e de arquitetura, retratos de
estranhos utilizando uma lente falsa e trabalhos documentais ao redor do mundo,
como Itália, Escócia e Gana. Era um excelente retratista e se dedicava também à
fotografia abstrata, inspirado pelo cubismo e modernismo europeus. Foi um dos
fundadores da Photo League (uma associação de fotógrafos que pregavam o uso de
sua arte para promover causas políticas e sociais) e contribuiu para sua revista,
Photo News.
Durante os anos 1930 e 1940, em meio ao clima turbulento nos Estados Unidos, suas convicções progressistas o fizeram deixar o país. Passou próximos 27 anos de sua vida na França, onde permaneceu até morrer, em 1976 aos 85 anos. Publicou diversos livros, dirigiu filmes e escreveu sobre fotografia. Seus trabalhos fazem parte de coleções como a do Musée D’Orsay, Art Institute of Chicago e Dallas Museum of Art.
Paul Strand provou que a fotografia direta pode ser mais do que um mero registro, sendo profundamente expressiva. Seu trabalho abriu caminho para que a fotografia fose reconhecida como uma forma de arte legítima e respeitada. Suas imagens continuam a inspirar fotógrafos e artistas visuais ao redor do mundo e Strand permanece como uma dos nomes mais importantes da fotografia moderna.
FOTOLIVROS
- Olhar direto (canal de Rafael Bosco Vieira no YouTube): Catálogo da exposição realizada em 2009 no Instituto Moreira Sales em parceria com a Aperture Foundation;
- Masters of Photography - Aperture Magazine (Robin's Book Club)
VÍDEOS INTERESSANTES
- Neste vídeo do V&A Museum, é mencionado que Strand usou uma lente disfarçada para fotografar sem que as pessoas percebesse,. Era uma espécie de periscópio, que desviava a atenção do que a câmera realmente estava apontando - permitindo então que ela fosse apontada para o lado enquanto, na verdade, estava fotografando algo ou alguém em outra direção. Devia ser algo parecido com isso aqui.
- Strand usou essa técnica em algumas de suas fotos mais icônicas, como Blind Woman (1916), para capturar retratos autênticos e espontâneos sem que os fotografados posassem ou percebessem que estavam sendo fotografados.
LEITURAS INTERESSANTES
- Perfil no Google Arts & Culture com galeria de fotos. Algumas fotos contém descrições interessantes sobre a linha de raciocínio de Strand e seu método de trabalho;
- As Belas Fotografias de Strand de uma Vila Italiana nos anos 1950: Inspirado pelo livro Winesburg, Ohio de Sherwood Anderson, Strand realizou sua ambição de fotografar um vilarejo inteiro. Através de um contato italiano que sugeriu a ele a cidade de Luzzara, Strand passou cinco semanas nela fotografando as pessoas e os costumes e tudo isso foi registrado no livro Un Paese;
- Perfil de Strand no MoMA;
- Galeria de fotos na Another Magazine;
- Como Strand pavimentou o caminho para o modernismo fotográfico;
- Fotografia e Humanidade: entendendo a genialidade de Paul Strand. Texto sobre uma exposição da retrospectiva do fotógrafo realizada no V&A em 2016 com uma entrevista com o curador de fotografia do museu, Martin Barnes;









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