Monday, March 24, 2025

PAUL STRAND

"A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a verem sem câmera." – Paul Strand

Se a fotografia moderna tem um nome que ajudou a definir seus rumos, esse nome é Paul Strand (1890-1976). Nascido em Nova York, atravessou quase um século de transformações visuais e sociais, deixando um legado incontestável. Além de fotógrafos, seu trabalho influenciou cineastas e artistas plásticos.

Foi aluno de Lewis Hine e, após uma visita que sua classe fez à galeria 291, Strand passou a levar sua prática fotográfica com mais seriedade. Associou-se ao Camera Club de Nova York, onde produzia imagens no padrão do pictorialismo. Alfred Stieglitz, dono da 291, era um nome influente na época e entre uma variedade de papéis que desempenhava, era editor da revista Camera Work, considerava uma das melhores publicações sobre fotografia em sua época. O objetivo inicial da revista era promover o pictorialismo e os artistas desse movimento, tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.

No entanto, Stieglitz ia pouco a pouco rompendo com a fotografia pictorialista e adentrando o que o crítico Sadakichi Hartmann chamou de “fotografia direta”. Ao contrário da primeira, cujos participantes aceitavam uma variedade de manipulações dos negativos e impressões para obterem o efeito artístico desejado, a fotografia direta era a saída da câmera, sem edições, um retrato fiel da realidade. A Camera Work teve 50 edições e a última foi dedicada integralmente a Paul Strand e seu estilo direto de fotografar. Além disso, sua primeira exposição individual também tinha acontecido sob curadoria de Stieglitz na galeria 291.

Strand era eclético e tinha grande habilidade em equilibrar o documental e o artístico: fazia fotografia de rua e de arquitetura, retratos de estranhos utilizando uma lente falsa e trabalhos documentais ao redor do mundo, como Itália, Escócia e Gana. Era um excelente retratista e se dedicava também à fotografia abstrata, inspirado pelo cubismo e modernismo europeus. Foi um dos fundadores da Photo League (uma associação de fotógrafos que pregavam o uso de sua arte para promover causas políticas e sociais) e contribuiu para sua revista, Photo News.

Durante os anos 1930 e 1940, em meio ao clima turbulento nos Estados Unidos, suas convicções progressistas o fizeram deixar o país. Passou próximos 27 anos de sua vida na França, onde permaneceu até morrer, em 1976 aos 85 anos. Publicou diversos livros, dirigiu filmes e escreveu sobre fotografia. Seus trabalhos fazem parte de coleções como a do Musée D’Orsay, Art Institute of Chicago e Dallas Museum of Art.

Paul Strand provou que a fotografia direta pode ser mais do que um mero registro, sendo profundamente expressiva. Seu trabalho abriu caminho para que a fotografia fose reconhecida como uma forma de arte legítima e respeitada. Suas imagens continuam a inspirar fotógrafos e artistas visuais ao redor do mundo e Strand permanece como uma dos nomes mais importantes da fotografia moderna.

FOTOLIVROS

  • Olhar direto (canal de Rafael Bosco Vieira no YouTube): Catálogo da exposição realizada em 2009 no Instituto Moreira Sales em parceria com a Aperture Foundation; 
  • Masters of Photography - Aperture Magazine (Robin's Book Club)

VÍDEOS INTERESSANTES

  • Neste vídeo do V&A Museum, é mencionado que Strand usou uma lente disfarçada para fotografar sem que as pessoas percebesse,. Era uma espécie de periscópio, que desviava a atenção do que a câmera realmente estava apontando - permitindo então que ela fosse apontada para o lado enquanto, na verdade, estava fotografando algo ou alguém em outra direção. Devia ser algo parecido com isso aqui
  • Strand usou essa técnica em algumas de suas fotos mais icônicas, como Blind Woman (1916), para capturar retratos autênticos e espontâneos sem que os fotografados posassem ou percebessem que estavam sendo fotografados. 

Excelente comentário sobre a carreira de Strand (The Art of Photography):

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