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Wednesday, August 19, 2026

BRUCE DAVIDSON

 Bruce Davidson: The Way Back - Exibart Street

"Prefiro fotografar na Grand Central do que fotografar no Grand Canyon." – Bruce Davidson

Bruce Davidson é um dos grandes nomes da tradição humanista da fotografia documental, à qual pertencem fotógrafos como Henri Cartier-Bresson e W. Eugene Smith. Membro da Magnum Photos desde o final da década de 1950, construiu uma obra marcada pela observação paciente e, sobretudo, pela convivência prolongada com as pessoas que fotografava. Essa disposição para permanecer, criar vínculos e conquistar a confiança de seus sujeitos é o que distingue sua fotografia dentro dessa tradição.

Nascido nos Estados Unidos em 1933 em Oak Park, Illinois, Davidson descobriu cedo o interesse pela fotografia. Estudou na Rochester Institute of Technology e na Universidade de Yale, onde teve aulas com o artista alemão Josef Albers, um dos maiores educadores de arte do século XX. Após servir o exército, trabalhou brevemente para a revista Life. Em 1958 foi convidado por Robert Capa e Henri Cartier-Bresson para integrar a agência Magnum, na qual desenvolveu praticamente toda a sua carreira.

Desde o início, Davidson demonstrava pouco interesse pelo fotojornalismo rápido. Ao invés disso sua abordagem consistia em passar semanas, meses e, em alguns casos, anos convivendo com as pessoas enquanto produzia seus ensaios. Mais do que registrar um assunto, buscava compreender aqueles que fotografava. A disposição para construir relações tornou-se uma das marcas mais reconhecíveis de seu trabalho.  

Essa postura aparece em praticamente todos os seus grandes projetos, como Circus (1958), Brooklyn Gang (1959) e Harlem. Embora tratem de universos muito diferentes, todos nascem da convicção de que a fotografia se torna mais profunda quando existe tempo para conhecer as pessoas.

Ao longo de mais de seis décadas de trabalho, Bruce Davidson mostrou que a fotografia documental fica muito melhor quando consiste na convivência com as pessoas. Ele é a prova de que as imagens mais marcantes nem sempre surgem dos acontecimentos mais espetaculares, mas da disposição de permanecer tempo suficiente para que as pessoas deixem de ser apenas sujeitos fotografados e passem a revelar, diante da câmera, algo delas mesmas. 

A Viúva de Montmartre, Paris, França, 1956. Foi uma série de fotografias tiradas por Davidson em 1956. Enquanto servia no exército dos EUA nas proximidades de Paris, conheceu Margaret Fauché, a viúva de 92 anos do pintor impressionista Léon Fauché. Publicado na revista Esquire em 1958, o ensaio chamou a atenção de Henri Cartier-Bresson, que ficou impressionado com a sensibilidade humanista, a intimidade e a composição do jovem fotógrafo que, na época tinha apenas 22 anos. Apadrinhado por Brésson, foi convidado para entrar na Magnum.

O Anão, Palisades, Nova Jérsei, EUA, 1958. Em 1958, quando ingressou na Magnum Photos, Davidson tinha 25. Ele foi ao Palisades Amusement Park em Nova Jérsei para fotografar o Clyde Beatty Circus. Foi o início do que se tornaria um trabalho de grandes proporções sobre circos e, seus trabalhadores e bastidores. Ali conheceu o anão Jimmy Armstrong, que trabalhava como palhaço e foi um dos seus trabalhos mais emocionalmente fortes.

“Nos tornamos amigos, embora mal falássemos um com o outro”. Ao capturar a solidão de Armstrong, as chacotas que ele enfrentava e a família que encontrou no circo, Davidson expôs o senso de solidão tanto do indivíduo quanto da sociedade em geral.

Jimmy Armstrong, “O Anão”, Palisades, Nova Jersey, 1958. Talvez a fotografia mais conhecida de Davidson.

Bruce Davidson Digs Deep and Finds Gems He Had Overlooked - The New York  Times

A gangue do Brooklyn, Nova York, EUA, 1959

Lefty mostrando sua tatuagem (de Brooklyn Gang), Nova York, EUA, 1959

Gangue do Brooklyn, Coney Island, Nova York, EUA, 1959

Gangue do Brooklyn, no boardwalk at West 33st, Coney Island, 1959

Brooklyn Gang. Kathy arrumando o cabelo se olhando no espelho de uma máquina de vendas de cigarros, Coney Island, Nova York, 1959.

Brooklyn Gang. Indo para casa de ônibus, Nova York, 1959

 

Eli Wallach, Arthur Miller, Montgomery Clift, John Huston, Marilyn Monroe e Clarke Gable durante as filmagens de The Misfits, Reno Nevada, 1960. Além do trabalho documental pelo qual ficou conhecido, Davidson também realizou trabalhos comerciais e editoriais, fotografando moda e bastidores de produções cinematográficas. Entre elas está The Misfits (1961), de John Huston, cujas filmagens foram acompanhadas por vários fotógrafos da Magnum, incluindo Davidson e Elliott Erwitt.

Marilyn Monroe nas filmagens de The Misfits, Reno, Nevada, 1960

Marilyn Monroe com seu marido Arthur Miller, Reno, Nevada, 1960

Beautiful Fashion Photography by Bruce Davidson in the 1960s ~ Vintage  Everyday

Deborah Dixon para Vogue, Nova York, EUA, 1960. Na década de 1960, Davidson também fotografou moda para revistas como a Vogue, produzindo imagens em cores que revelam um lado menos conhecido de seu trabalho. Embora esse tipo de fotografia tenha perdido espaço à medida que ele se dedicava cada vez mais a projetos documentais de longa duração, seu interesse pelas roupas e pela maneira como as pessoas se apresentam diante do mundo permaneceu visível. Décadas depois, em Subway, algumas de suas fotografias de mulheres no metrô, com atenção especial às roupas, cores e gestos, poderiam quase pertencer a um editorial de moda.

Beautiful Fashion Photography by Bruce Davidson in the 1960s ~ Vintage  EverydayBeautiful Fashion Photography by Bruce Davidson in the 1960s ~ Vintage  Everyday

Anne St. Marie vestindo roupa de Harry Frechtel e chapéu Lilly Daché para Vogue, 1960

Beautiful Fashion Photography by Bruce Davidson in the 1960s ~ Vintage  Everyday

Senhoras sorrindo para os policiais, Londres, Inglaterra, 1960 - Refletindo uma era do pós-guerra na qual as revoluções da década de 1960 ainda não haviam chegado à corrente dominante, as fotografias de Davidson revelam países divididos por diferenças, os extremos da vida urbana e rural, da aristocracia proprietária de terras e das pessoas comuns, e retratam com clareza o espírito daqueles tempos por meio de imagens pessoais e provocadoras, que permanecem tão atuais hoje quanto eram naquela época.

Cachorro em um carro, Londres, Inglaterra, 1960. 

Reverendo Martin Luther King em uma conferência de imprensa, Birmingham, Alabama, EUA, 1962

Mulher na traseira de um camburão, Nova York, EUA, 1962.

East 100 St. Nova York, EUA. 1966. Entre 1966 e 1968, com uma bolsa do National Endowment for the Arts, Davidson fotografou os moradores da East 100th Street, no Harlem, região que conhecia apenas de relance desde os anos 1950 e que há muito desejava conhecer de perto. Inicialmente recebido com desconfiança, permaneceu no bairro até conquistar a confiança dos moradores e, em vez de fotografá-los à distância, usou uma câmera de grande formato sobre tripé, num processo lento e colaborativo: “Eu não queria ser o observador que não é observado. Queria estar frente a frente com meus sujeitos.” Publicado em livro em 1970, East 100th Street dividiu a crítica, mas suas imagens também foram utilizadas por moradores para mostrar às autoridades as condições precárias das habitações e reivindicar melhorias para a comunidade.

East 100th Street. Nova York. EUA. 1966.

Família diante das fotos de casamento, East 100th Street, Nova York, 1966


Subway. Nova York. 1980. Desde a inauguração da primeira linha subterrânea em 1904, o metrô de Nova York vinha se deteriorando continuamente. Quando Davidson começou seu projeto, na primavera de 1980, tinha atingido seu pior estado. Coberto de grafites e banhado por inquietante luzes fluorescentes baratas, era um lugar perigoso frequentado por gangues violentas e habitado por moradores de rua. Davidson encontrou nessa paisagem hostil uma experiência estética interessante. Abandonou seu habitual filme preto e branco e passou a fotografar em cores, buscando demonstrar a atmosfera singular daquele ambiente, impregnado por “uma iridescência como a que se vê em fotografias de peixes nas profundezas do mar”. 

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Monday, July 27, 2026

ERNST HAAS

Ernst Haas: Pioneering Street Photographer and Master of Color — about  photography

"Existem dois tipos de fotógrafos: os que compõem fotografias e os que simplesmente as tiram. Os primeiros trabalham em estúdios. Para os outros, o estúdio é o mundo... Para eles, o comum não existe: tudo na vida é fonte de alimento." - Ernst Haas

Ernst Haas (1921–1986) foi um fotógrafo austro-americano considerado um dos pioneiros da fotografia em cores como forma de arte. Sua obra abrange uma ampla variedade de temas, desde o fotojornalismo até composições abstratas e artísticas.

Haas iniciou sua carreira na década de 1940 dedicando-se à fotografia em preto-e-branco. Ganhou destaque ao documentar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial e, após a repercussão de um ensaio sobre prisioneiros de guerra austríacos que retornavam ao país, foi convidado por Robert Capa para integrar a recém-criada agência Magnum.  

Um dos momentos mais decisivos de sua trajetória ocorreu em 1953, quando a revista Life publicou Images of a Magic City, um ensaio fotográfico sobre Nova York que se tornou um marco na história da fotografia em cores. Publicado em 24 páginas, tornou-se a primeira grande reportagem ilustrada com fotografias coloridas da revista e revelou uma maneira inteiramente nova de representar a cidade. O sucesso do ensaio consolidou sua reputação internacional e abriu caminho para a histórica exposição que o MoMA lhe dedicaria menos de uma década depois. 

Em 1962, o museu apresentou a exposição Ernst Haas: Color Photography, a primeira individual da instituição voltada ao trabalho em cores de um fotógrafo. Essa exposição tinha sido idealizada durante a gestão de Edward Steichen, que era um entusiasta do trabalho de Haas e tinha incluído fotos dele em sua ambiciosa exposição The Family of Man, de 1955. No entanto, quando finalmente foi inaugurada, o museu já estava sob a direção de John Szarkowski, sucessor de Steichen, que, embora reconhecesse a habilidade técnica de Haas, defendia uma nova direção para a fotografia documental, representada por autores como Robert Frank, Diane Arbus, Lee Friedlander e Garry Winogrand. Nas décadas seguintes, Szarkowski promoveu uma nova geração de fotógrafos, entre eles William Eggleston e Stephen Shore, cujas exposições no MoMA ajudaram a definir a narrativa dominante sobre a fotografia em cores. Embora Haas tivesse aberto esse caminho anos antes, foi essa nova geração que passou a ocupar o centro da narrativa histórica sobre a fotografia em cores.

Haas foi, sem dúvida, um dos pioneiros da fotografia em cores como linguagem artística, mas sua obra não deu origem a um movimento nem estabeleceu uma tradição claramente identificável. Sua linguagem permaneceu profundamente pessoal e dificilmente poderia ser reduzida a um método ou estilo capaz de formar uma geração de seguidores. Essa pode ser uma das razões pelas quais, apesar de seu pioneirismo e reconhecimento em vida, Haas aparece com menos frequência nos livros de história do que sua trajetória faria supor.

Ao longo de sua carreira, recebeu inúmeros prêmios e homenagens por sua contribuição à fotografia. Sua obra continua sendo celebrada e estudada por fotógrafos, apreciadores de arte e historiadores. Faleceu em 12 de setembro de 1986, na cidade de Nova York, deixando um legado de fotografias inovadoras e influentes que continua a inspirar gerações de fotógrafos e artistas.

New York, 1952

New York, 1953 

La Suerte de Capa, Pamplona, Spain, 1956

Race Cars, Indianapolis 500, USA, 1957

Traffic, New York, USA, 1957

Traffic reflection (1957) by Ernst Haas | Artsy

Traffic Reflection, NYC, USA, 1957 

Monument Valley, Utah, 1962

Ernst Haas

Route 66, Albuquerque, New Mexico, 1969 

USA, 1975

Torn Poster II, Redbird, NYC, 1960. Além de suas conhecidas fotografias explorando longas exposições e movimento, Haas também fotografou detalhes de cartazes, vitrines, paredes e outras superfícies urbanas. Esses enquadramentos fechados transformavam elementos comuns em composições quase pictóricas, nas quais a forma prevalece sobre a identificação do assunto.

Torn Poster III – Face, NYC, 1960 

New York, 1957

California, USA, 1977 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

California, USA, 1977

New Orleans, USA, 1960 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

New Orleans, USA, 1960

New York City, USA, 1974 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

New York City, USA, 1974

New York, 1981. 

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