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Monday, January 26, 2026

HELEN LEVITT

Exploring Helen Levitt's groundbreaking street photography

“Nunca tenho a intenção de fazer declarações nas minhas fotografias. As pessoas dizem: ‘O que isso ou aquilo significa?’. Eu não tenho uma boa resposta para elas. Você vê o que você vê.”

Helen Levitt foi uma fotógrafa de rua cujo trabalho teve como tema central a vida nos bairros residenciais mais pobres de Manhattan, como o Spanish Harlem, o Lower East Side e o Garment District. Uma das figuras mais importantes de sua época, ficou especialmente associada às imagens de crianças brincando ou envolvidas em jogos, que eram um tema recorrente ao longo de sua trajetória.

Nasceu no Brooklyn, NY, em 1913 em uma família de imigrantes judeus russos. Começou a fotografar quando conseguiu um emprego de assistente em um estúdio de fotografia no Bronx. Frequentou o Workers Film and Photography League e deu aula no Federal Art Project, um programa do New Deal de Roosevelt. Nesse período, voltou seu olhar para os desenhos de giz feitos nas calçadas e para as próprias crianças que os criavam.

Em 1937, conheceu Walker Evans e passou a acompanhá-lo em suas incursões pelo metrô de Nova York, onde ele registrava secretamente outros passageiros — há inclusive um retrato dela nessa série. Não demorou para que começasse a produzir suas próprias imagens no transporte público, mas, ao contrário de Evans, não escondia a câmera e suas fotografias revelam justamente essa relação direta com os retratados. Com incentivo dele, seguiu trabalhando nas ruas e, em 1939, participou da exposição inaugural do recém-criado departamento de fotografia do MoMA. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1943, também no MoMA, com imagens feitas durante uma viagem para o México, para onde embarcou inspirada por um breve encontro com Cartier-Bresson.

Nas décadas seguintes, trabalhou com produção de filmes e documentários. Em 1959 e 1960, recebeu duas bolsas Guggenheim, que utilizou para iniciar sua investigação da fotografia de rua em cores. Naquela época, a fotografia só era reconhecida como arte quando feita em preto-e-branco, pois a cor era associada à publicidade impressa.  Já na década de 1970, voltou ao metrô, agora registrando um ambiente informal, marcado pela presença de graffiti.

Levitt viveu sempre em Nova York e teve uma carreira ativa por mais de setenta anos. Lamentava as mudanças culturais que observou ao longo desse período: “as crianças passavam mais tempo nas ruas, que agora estão vazias. As pessoas estão dentro de casa, provavelmente assistindo TV”.

Morreu em 2009, aos 95 anos, em sua casa. Deixou uma marca como uma grande fotógrafa de rua interessada em mostrar aquilo que pouco atraía o olhar documental tradicional: a complexidade da vida dos mais pobres e suas pequenas alegrias cotidianas, em uma época em que era quase obrigatório enfatizar pobreza, tristeza e privação. Não se interessava por acontecimentos extraordinários, mas pela vida comum. Para Levitt, a rua era como um palco onde tudo acontecia. Dizia que seu trabalho era desprovido de sentimentalismo e de significado político e, quando questionada se gostava de crianças, dizia apenas que as fotografava porque estavam ali.

Helen Levitt: Vintage Chalk Drawings 1938 – 1948 | Fraenkel GalleryHelen Levitt | Untitled (girl with graffiti (1936 - 1945) | MutualArtHelen Levitt photographing passengers on the New York subway. The first  three here are from around 1978, followed by some she made forty years  earlier, in the company of Walker Evans. That'sManhattan Transit - Zander GalerieHelen Levitt photographing passengers on the New York subway. The first  three here are from around 1978, followed by some she made forty years  earlier, in the company of Walker Evans. That'sStreet wise – how Helen Levitt turned a cool eye on life in New York -  Apollo MagazineHelen Levitt's Street Photos Blend the Poetic With the Political - The New  York TimesInstant Views [o.] Kids with Masks, New York | Helen Levitt, 1940 - C o c o  s s eChild's Play in Helen Levitt's Early Photographs (2009) – AMERICAN SUBURB XChild's Play in Helen Levitt's Early Photographs (2009) – AMERICAN SUBURB XHelen Levitt - Artists - Laurence Miller GalleryÀ Arles, Helen Levitt photographe des rues new-yorkaises est mise à  l'honneurHenri Cartier-Bresson, Helen Levitt: Mexico - Exibart StreetHelen Levitt - Mexico City - The Metropolitan Museum of ArtHelen Levitt: Mexico City – $1,975 | Librería del balcónHelen Levitt: Manhattan Transit | MONOVISIONS - Black & White Photography  MagazineMONOVISIONS – Black & White Photography MagazineHelen Levitt: Manhattan Transit | MONOVISIONS - Black & White Photography  MagazineMONOVISIONS – Black & White Photography MagazineHelen Levitt's Color Street Photography from New York City in the 1970's -  ERIC KIM ₿Helen Levitt: New York Streets 1938 to 1990s - Photographs by Helen Levitt  | LensCultureHELEN LEVITT: “COLOR” (1971-1981) – AMERICAN SUBURB XHelen Levitt: New York Streets Exhibits | La Vida Leica!7 Lessons Helen Levitt Has Taught Me About Street Photography - ERIC KIM ₿Helen Levitt | National Gallery of Art

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Sunday, December 14, 2025

LEE FRIEDLANDER: CHRISTMAS


"The world makes up my pictures, not me." - Lee Friedlander

Lee Friedlander é, sem dúvida, um dos maiores fotógrafos de rua, com uma carreira que já soma mais de 70 anos. Nascido em Aberdeen, WA em 1934, começou a se interessar por fotografia aos catorze anos.

Seu estilo se insere na mesma tradição documental praticada por Walker Evans e Robert Frank: uma abordagem que privilegia a observação direta do mundo sem intervenção, registrando a vida cotidiana com fidelidade. O que diferencia Friedlander  é que, mesmo fazendo fotografias de rua, ele mantém uma atenção constante entre ele mesmo, o fotógrafo, e o plano da imagem, que é tão importante quanto o assunto fotografado – muitas vezes uma rua vazia, uma vitrine ou algum elemento banal das ruas. Costuma também se incluir nas fotos como uma sombra ou reflexo, o que cria uma estranheza e um certo desconforto para quem observa essas imagens.

Christmas é um livro bem recente, foi publicado em outubro pela Eakins Press Foundation. Contém 112 páginas e texto final escrito por Peter Kayafas, fotógrafo e diretor-presidente da editora. Além do livro, a exposição Lee Friedlander: Christmas está em cartaz na galeria Deborah Bell em Nova York, feita em conjunto com a galeria Fraenkel de São Francisco e a Luhring Augustine.

Nessas imagens, selecionadas de seu imenso acervo que certamente contém centenas de milhares de fotografias, é possível ver o Natal como visto por ele em seu estilo já familiar: enquanto passava pelos lugares mais variados dos EUA registrando ruas, casas, comércio. Ele nos mostra que o Natal é parte da cultura americana, quer a pessoa seja adepta ou não, seus sinais simplesmente estão em todos os lugares.

Se desejar ler mais sobre Lee Friedlander, clique AQUI.

Monday, September 8, 2025

WILLIAM KLEIN (REVISITADO)

"Sempre amei o lado amador da fotografia, fotografias automáticas, fotografias acidentais com composições não centralizadas, cabeças cortadas, o que quer que seja. Eu incito as pessoas a fazerem seus autorretratos. Me vejo como sua cabine fotográfica ambulante." (William Klein)

Este novo post substitui o anterior, oferecendo um panorama mais completo da trajetória de William Klein, um dos artistas mais inventivos e inquietos do século XX. Sua obra se estende muito além da fotografia de rua: envolve moda, cinema, livros marcantes e uma abordagem visual que redefiniu a forma como vemos o mundo.

William Klein nasceu em 1928 em Nova York, em uma família judaica humilde de origem húngara. Após concluir os estudos, alistou-se no exército e foi posicionado na Alemanha e na França. Em Paris, decidiu permanecer depois da dispensa, estabelecendo-se definitivamente na cidade que se tornaria sua base criativa. Faleceu em 2022, aos 96 anos, deixando um legado imenso.

Antes da fotografia, Klein estudou pintura com Fernand Léger e conquistou reconhecimento ainda jovem com suas obras. Em seguida, passou para a fotografia, colaborando com a Vogue, onde revolucionou a estética da moda ao introduzir movimento, espontaneidade e até ironia em um campo até então rígido e glamouroso. Seu trabalho ganhou fama justamente por rejeitar convenções e se aproximar de uma linguagem mais livre, natural e até provocativa.

A ausência de uma formação formal em fotografia não o impediu de receber inúmeros prêmios, a começar pelo Prix Nadar, em 1957, concedido por seu livro sobre Nova York. Klein foi considerado revolucionário por sua abordagem ambivalente do mundo da moda e por uma estética radical: preferia a luz natural, explorava teleobjetivas e grandes angulares e não tinha medo do borrado, do tremido, do grão — recursos que transformava em estilo.

FOTOGRAFIA DE RUA

Com o livro Life is Good & Good for You in New York (1956), Klein mostrou uma cidade pulsante e caótica, em contraste com a ordem e a clareza que dominavam a fotografia documental da época. Seu olhar ousado, irônico e visceral aproximava o espectador da própria experiência urbana. Ao lado de Robert Frank, Klein é considerado um dos pais da fotografia de rua moderna.

FOTOGRAFIA DE MODA

Enquanto explorava as ruas com sua câmera, Klein também reinventava a fotografia de moda — um território até então marcado pela rigidez e pelo glamour cuidadosamente controlado. Trabalhando para a Vogue nas décadas de 1950 e 1960, ele introduziu algo inédito: editoriais cheios de energia, quase cinematográficos, em que modelos apareciam em movimento, rindo, gesticulando ou interagindo de maneira espontânea. Em vez da pose impecável e distante que dominava a época, Klein apostou no improviso, no inesperado, no humor.

Sua abordagem trouxe para as páginas da moda a mesma ousadia que aplicava nas ruas: enquadramentos ousados, cortes abruptos, uso radical do grande angular e até imagens propositalmente borradas. Ao invés de congelar a elegância em um pedestal, Klein a colocava em movimento, dissolvendo as fronteiras entre a artificialidade do estúdio e a vitalidade da vida real.

Esse choque estético não só modernizou a linguagem da moda, mas também abriu espaço para que ela se tornasse mais acessível, mais próxima do público. Klein mostrou que beleza podia estar no riso desarmado, no gesto inesperado, na imperfeição que revelava autenticidade. Não por acaso, influenciou profundamente nomes como Mario Testino, que sempre reconheceu nele uma inspiração direta — sobretudo nessa capacidade de unir glamour e humanidade em uma mesma imagem.

LIVROS E PROJETOS PRINCIPAIS

  • Life is Good & Good for You in New York (1956): obra-prima que mudou os rumos da fotografia de rua, premiada com o Prix Nadar.

  • Rome (1959): um retrato da cidade italiana em sua vitalidade cotidiana.

  • Tokyo (1964): o Japão em plena modernização, captado em imagens vibrantes que misturam tradição e modernidade.

  • Moscow (1964): uma visão não convencional da União Soviética em plena Guerra Fria.

  • Paris + Klein (2002): um retorno à cidade que se tornou seu lar, celebrando décadas de observação.

CINEMA E TELEVISÃO

Klein também deixou uma contribuição significativa para o cinema e a publicidade. Dirigiu filmes de ficção e documentários, além de produzir mais de 250 comerciais de TV. Sua linguagem cinematográfica carregava a mesma energia subversiva de suas fotografias, explorando cortes rápidos, humor ácido e crítica social.

UM LEGADO SEM FRONTEIRAS

William Klein foi um criador indomável, que nunca aceitou regras estabelecidas. Fez da imperfeição um estilo e da experimentação uma assinatura. Suas imagens — borradas, tremidas, explosivas — são testemunhos da vida em movimento. Entre a moda e a rua, entre Nova York e Paris, entre livros e filmes, construiu uma obra que ainda hoje inspira artistas, fotógrafos e cineastas.

Klein morreu em 2022, mas deixou para trás um legado monumental. Mais do que um fotógrafo, foi um revolucionário que ampliou as possibilidades do olhar, transformando a fotografia em uma experiência de choque, ironia e vitalidade.

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