Showing posts with label MoMA. Show all posts
Showing posts with label MoMA. Show all posts

Monday, July 27, 2026

ERNST HAAS

Ernst Haas: Pioneering Street Photographer and Master of Color — about  photography

"Existem dois tipos de fotógrafos: os que compõem fotografias e os que simplesmente as tiram. Os primeiros trabalham em estúdios. Para os outros, o estúdio é o mundo... Para eles, o comum não existe: tudo na vida é fonte de alimento." - Ernst Haas

Ernst Haas (1921–1986) foi um fotógrafo austro-americano considerado um dos pioneiros da fotografia em cores como forma de arte. Sua obra abrange uma ampla variedade de temas, desde o fotojornalismo até composições abstratas e artísticas.

Haas iniciou sua carreira na década de 1940 dedicando-se à fotografia em preto-e-branco. Ganhou destaque ao documentar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial e, após a repercussão de um ensaio sobre prisioneiros de guerra austríacos que retornavam ao país, foi convidado por Robert Capa para integrar a recém-criada agência Magnum.  

Um dos momentos mais decisivos de sua trajetória ocorreu em 1953, quando a revista Life publicou Images of a Magic City, um ensaio fotográfico sobre Nova York que se tornou um marco na história da fotografia em cores. Publicado em 24 páginas, tornou-se a primeira grande reportagem ilustrada com fotografias coloridas da revista e revelou uma maneira inteiramente nova de representar a cidade. O sucesso do ensaio consolidou sua reputação internacional e abriu caminho para a histórica exposição que o MoMA lhe dedicaria menos de uma década depois. 

Em 1962, o museu apresentou a exposição Ernst Haas: Color Photography, a primeira individual da instituição voltada ao trabalho em cores de um fotógrafo. Essa exposição tinha sido idealizada durante a gestão de Edward Steichen, que era um entusiasta do trabalho de Haas e tinha incluído fotos dele em sua ambiciosa exposição The Family of Man, de 1955. No entanto, quando finalmente foi inaugurada, o museu já estava sob a direção de John Szarkowski, sucessor de Steichen, que, embora reconhecesse a habilidade técnica de Haas, defendia uma nova direção para a fotografia documental, representada por autores como Robert Frank, Diane Arbus, Lee Friedlander e Garry Winogrand. Nas décadas seguintes, Szarkowski promoveu uma nova geração de fotógrafos, entre eles William Eggleston e Stephen Shore, cujas exposições no MoMA ajudaram a definir a narrativa dominante sobre a fotografia em cores. Embora Haas tivesse aberto esse caminho anos antes, foi essa nova geração que passou a ocupar o centro da narrativa histórica sobre a fotografia em cores.

Haas foi, sem dúvida, um dos pioneiros da fotografia em cores como linguagem artística, mas sua obra não deu origem a um movimento nem estabeleceu uma tradição claramente identificável. Sua linguagem permaneceu profundamente pessoal e dificilmente poderia ser reduzida a um método ou estilo capaz de formar uma geração de seguidores. Essa pode ser uma das razões pelas quais, apesar de seu pioneirismo e reconhecimento em vida, Haas aparece com menos frequência nos livros de história do que sua trajetória faria supor.

Ao longo de sua carreira, recebeu inúmeros prêmios e homenagens por sua contribuição à fotografia. Sua obra continua sendo celebrada e estudada por fotógrafos, apreciadores de arte e historiadores. Faleceu em 12 de setembro de 1986, na cidade de Nova York, deixando um legado de fotografias inovadoras e influentes que continua a inspirar gerações de fotógrafos e artistas.

New York, 1952

New York, 1953 

La Suerte de Capa, Pamplona, Spain, 1956

Race Cars, Indianapolis 500, USA, 1957

Traffic, New York, USA, 1957

Traffic reflection (1957) by Ernst Haas | Artsy

Traffic Reflection, NYC, USA, 1957 

Monument Valley, Utah, 1962

Ernst Haas

Route 66, Albuquerque, New Mexico, 1969 

USA, 1975

Torn Poster II, Redbird, NYC, 1960. Além de suas conhecidas fotografias explorando longas exposições e movimento, Haas também fotografou detalhes de cartazes, vitrines, paredes e outras superfícies urbanas. Esses enquadramentos fechados transformavam elementos comuns em composições quase pictóricas, nas quais a forma prevalece sobre a identificação do assunto.

Torn Poster III – Face, NYC, 1960 

New York, 1957

California, USA, 1977 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

California, USA, 1977

New Orleans, USA, 1960 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

New Orleans, USA, 1960

New York City, USA, 1974 © Ernst Haas, courtesy Steidl Books

New York City, USA, 1974

New York, 1981. 

LEITURAS E VÍDEOS RECOMENDADOS


Thursday, July 23, 2026

ARBUS, FRIEDLANDER E WINOGRAND | NEW DOCUMENTS (1967)

 Arbus, Friedlander, Winogrand - New Documents 1967

“Essa exposição descreve o trabalho desses três jovens fotógrafos que adotaram a estética da fotografia documental para fins não-sociais e pessoais”. - John Szarkowski

New Documents foi uma exposição realizada no Museu de Arte de Nova York (MoMA) em 1967, com curadoria do então diretor do departamento de fotografia John Szarkowski (1925-2007). Mostrou o trabalho de apenas três fotógrafos: Diane Arbus (1923-1971), Lee Friedlander (n.1934) e Garry Winogrand (1928-1984). É considerada uma das exposições mais relevantes do século XX.

Szarkowski observou que fotógrafos documentaristas de gerações anteriores, como Lewis Hine, Jacob Riis e Dorothea Lange, faziam seu trabalho em nome de causas sociais, com o objetivo de mostrar o que estava errado no mundo. Com isso, esperavam persuadir quem visse suas fotos a agir para mudar essa realidade. Por volta de 1960, no entanto, uma nova geração de fotógrafos passou a usar suas câmeras em nome de algo muito mais pessoal: não desejavam mudar o mundo, mas conhecê-lo e experimentá-lo como ele já era.

Essa costuma ser a principal ideia associada à exposição, comumente reduzida a “eles não queriam mudar o mundo”, mas o texto de Szarkowski vai além. Segundo ele, Arbus, Friedlander e Winogrand não apenas deixaram de lado a ambição de transformar a sociedade como também desconfiavam das grandes justificativas intelectuais para fotografar. O que os movia era a curiosidade, o fascínio e, muitas vezes, o estranhamento diante da vida comum. Szarkowski via nos três a expressão mais acabada dessa nova atitude diante da fotografia, ainda que suas raízes pudessem ser percebidas em trabalhos produzidos alguns anos antes. Embora possuíssem estilos e pontos de vista bastante distintos, compartilhavam a convicção de que o cotidiano merecia um olhar atento, sem grandes justificativas para fotografá-lo.

“Talvez esses três fotógrafos preferissem que suas fotografias fossem vistas não como arte, mas como vida. Isso não é inteiramente possível porque, afinal de contas, uma fotografia é apenas uma fotografia. Mas essas fotografias podem muito bem mudar nossa percepção de como é a vida”, afirmou Szarkowski. Daí o nome New Documents, que sugeria uma redefinição da função e do propósito da fotografia documental.

Diane Arbus nos mostrava, por meio de seus retratos, que todos nós, fôssemos comuns ou exóticos, éramos fascinantes quando vistos de perto. Lee Friedlander, por sua vez, tinha uma visão eclética do que merecia ser fotogrado, das vitrines tão presentes em seu trabalho e de seus autorretratos originais ao interior das casas das pessoas. Já Garry Winogrand tinha um gosto pela vida que superava seu respeito pela arte e mostrava o lado bem-humorado e vulgar da humanidade.

O LIVRO

Na ocasião da exposição, em 1967, não foi publicado um catálogo para acompanhá-la. Em 2017, para marcar os 50 anos de New Documents, o MoMA publicou este livro, que reúne uma grande quantidade de material relacionado ao evento: fotografias da abertura, listas de convidados de cada fotógrafo, matérias publicadas em jornais como o New York Times e cartas enviadas ao museu por visitantes, tanto elogiando quanto criticando a exposição, entre muitas outras coisas interessantes.

Após o encerramento no Museu de Arte Moderna de Nova York, a exposição percorreu mais de dez outras instituições nos Estados Unidos e no Canadá, entre elas o Museu de Arte de São Francisco e as universidades do Missouri e Cornell. A equipe de Szarkowski enviava todo o material da exposição acondicionado em apenas duas caixas para cada instituição interessada, tornando a instalação muito mais simples, especialmente em museus e universidades menores, com menos infraestrutura do que o MoMA.

O livro reproduz o texto original de Szarkowski que, como a maior parte do que ele escreveu, é extremamente prazeroso de ler e ajuda a compreender o contexto das ideias que procurava materializar. Traz também o texto que o escritor, crítico e fotógrafo Max Kozloff publicou na revista semanal The Nation quando a exposição foi inaugurada, além de outro ensaio escrito especialmente para a edição de 2017. Completam a publicação textos de Sarah Meister, então curadora do Departamento de Fotografia do MoMA, e de Glenn D. Lowry, diretor do museu entre 1995 e 2025.

A seleção de Diane Arbus reúne alguns de seus retratos mais conhecidos, como as gêmeas de Roselle e o jovem com bobes no cabelo. Há também um grande número de fotografias de nudistas, mas nenhuma de suas visitas a circos.

A seleção de Lee Friedlander é mais variada. Além de suas conhecidas fotografias de rua, estão presentes as famosas imagens de televisores ligados dentro de ambientes domésticos. Ao contrário de Arbus, que fotografou principalmente nos arredores de Nova York, Friedlander percorreu boa parte dos Estados Unidos. Não por acaso, costuma ser considerado o equivalente visual de Jack Kerouac, escritor da Beat Generation.

Dos três, Winogrand é o fotógrafo com cuja obra tenho menos familiaridade. Assim como Friedlander, sua seleção reúne imagens produzidas em diferentes cidades do país, embora ele seja mais conhecido pela fotografia de rua em Manhattan. Aliás, para quem — como eu — o associa fortemente a esse gênero, muitas das fotografias apresentadas aqui fogem bastante dessa expectativa.

Outra coisa que chama a atenção é o tamanho das fotografias. Vistas hoje, elas parecem surpreendentemente pequenas quando comparadas às ampliações que passaram a dominar galerias, museus e feiras de arte nas últimas décadas. A partir da fotografia digital, impressões em grandes formatos tornaram-se cada vez mais comuns e valorizadas. Em New Documents, porém, a escala era bem diferente. Além de refletir outra época da fotografia, acabava tornando a exposição mais simples de transportar e montar em outras instituições.

Wednesday, March 4, 2026

WILLIAM EGGLESTON (REVISITADO)

 

William Eggleston, the Pioneer of Color Photography - The New York Times

“Já disse isso antes: eu adoro olhar o meu próprio trabalho e, em geral, não gosto de olhar o trabalho dos outros. Há exceções, como Lee Friedlander, mas estes não nascem em árvores.”

William Eggleston é um fotógrafo conhecido por seus registros no sul dos EUA, onde nasceu e ainda vive e por legitimar o uso da cor na fotografia artística. Desde os anos 1960 fotografou cenas cotidianas utilizando o processo dye-transfer, que resultava em impressões de cores densas e saturadas. Há quem o ame e quem o odeie, naturalmente – talvez seja um gênio, talvez o fotógrafo mais superestimado que já existiu. Definia sua abordagem como democrática: para ele todas as coisas eram iguais e tinham o mesmo valor para serem fotografadas.

Antes dele, fotógrafos como Irving Penn e Edward Weston já tinham voltado suas câmeras para elementos banais, como pontas de cigarros e pimentões. A diferença é que trabalhavam essas imagens em estúdio, construindo atmosferas cuidadosamente controladas, quanto Eggleston aproximava-se mais de um fotógrafo vernacular, que tirava snapshots por onde passava.

Eggleston nasceu em 1939 em Memphis, no Tennessee, mas cresceu na fazenda de algodão da família, na pequena cidade de Sumner, no Mississippi.Era filho de um engenheiro e neto de um importante juiz local, começou a fotografar no final dos anos 1950, enquanto estudava na universidade Vanderbilt e ganhou uma Leica de presente de um amigo.  

No início, suas influências eram Robert Frank e Henri Cartier-Bresson, mas logo abandonou a fotografia preto-e-branco para se dedicar à fotografia em cores por incentivo de William Christenberry. Conheceu John Szarkowski em 1969, que descreveu seu trabalho como “uma pilha de revelações coloridas de farmácia”. Ainda assim, Szarkowski acabou convencendo o comitê de fotografia do museu a comprar uma de suas imagens.

E em 1976,  Szarkowski foi o curador da exposição Color Photographs, no MoMA, considerada um divisor de águas na carreira de Eggleston. A mostra costuma ser citada como a primeira individual de fotografia colorida no museu, embora em 1962 já tivesse ocorrido uma exposição de Ernst Haas. A recepção foi dividida e gerou debate tanto pela ousadia de apresentar fotografia colorida como arte, quanto pela banalidade de seus temas. Com o tempo, o reconhecimento veio e a exposição contribuiu para mudar a percepção da fotografia em cores.

Egggleston também se dedicou  à música e ao cinema, colaborando com artistas como David Byrne. Atualmente há uma exposição em cartaz na galeria David Zwirner, em Nova York, apresentando suas últimas impressões em dye-transfer.

Eggleston Art FoundationWilliam Eggleston, a cor americana - Instituto Moreira SallesThe Emotional Saturation of William Eggleston's “Last Dyes”

Eggleston Art FoundationLot 1

Placa de letreiro afixada em fachada de loja com cobertura de entrada de estabelecimento

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Homem sentado em carro

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Uma imagem contendo armário, no interior, cozinha, mesa

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Lot 1Lot 1

Lot 1Lot 1

Lot 1Lot 1

Eggleston Art FoundationUma imagem contendo ao ar livre, edifício, laranja, caminhão

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Photographing the 'Boring,' the History and Photography of William Eggleston

BOMB Magazine | William Eggleston

 

 

William Eggleston, a cor americana - Instituto Moreira SallesThe Emotional Saturation of William Eggleston's “Last Dyes”William Eggleston: Pioneer of Color Photography — about photography

 

VÍDEOS INTERESSANTES:

LEITURAS INTERESSANTES