“Se as pessoas forem capazes de reconhecer seu trabalho, acho que isso significa que você tem um
estilo”. Doug DuBois
Doug DuBois (1960-) começou a fotografar sua família em
1984, quando ainda era estudante de fotografia, sem ter a menor ideia de que
aquelas imagens se transformariam em um trabalho desenvolvido durante mais de
duas décadas. Nesse período, seu pai sofreu um grave acidente ao cair de um
trem, sua mãe enfrentou uma depressão severa e tentou o suicídio, os dois se
separaram depois de 42 anos de casados e a família ganhou uma nova geração. All
the Days and Nights foi publicado em 2009 e reúne esse longo registro da vida
familiar. Ao longo dos anos, DuBois fotografou sem saber exatamente no que
aquelas imagens se transformariam, experiência que acabou influenciando sua
maneira de pensar e desenvolver um projeto fotográfico.
Em 2009, foi para Cobh, na Irlanda, para uma
residência de um mês no Sirius Arts Centre. O país começava a enfrentar a forte
recessão que sucedeu os anos de crescimento do Celtic Tiger, e sua
intenção era fotografar canteiros de obras abandonados, mas não conseguiu
acesso aos locais. Como parte da residência, também trabalhava com um pequeno
grupo de jovens na edição de um livro de fotografias. Foram eles que acabaram
levando DuBois até Russell Heights, conjunto habitacional onde começou My
Last Day at Seventeen. O trabalho que nasceu desse encontro se estendeu por
cinco anos, com DuBois retornando à cidade e fotografando os jovens e suas
famílias. As fotografias misturam situações encontradas e outras construídas em
colaboração com os próprios fotografados, sem estabelecer uma divisão clara
entre documento e encenação.
O título surgiu de uma frase de Eirn, que, enquanto era
fotografada por DuBois, comentou que aquele era seu último dia aos 17 anos. A
passagem da adolescência para a vida adulta tornou-se uma das questões centrais
do trabalho, embora o fotógrafo não a associe a uma idade específica. Amizades,
namoros, festas, sexo, álcool, conflitos familiares e momentos de tédio
aparecem como parte da experiência cotidiana dos jovens de Russell Heights.
Há uma diferença importante entre os dois trabalhos. Em All
the Days and Nights, DuBois fotografa de dentro: conhece aquelas pessoas
durante toda a vida e faz parte da história que registra. Em My Last Day at
Seventeen, chega como um estranho e precisa construir ao longo dos anos a
intimidade que torna as fotografias possíveis. Ainda assim, os dois projetos
dependem de algo semelhante: tempo suficiente para acompanhar pessoas enquanto
suas relações e suas vidas se transformam.
Os dois projetos também mostram como DuBois permite que o
próprio ato de fotografar determine os rumos do trabalho. All the Days and
Nights começou com fotografias de sua família sem a intenção de formar um
projeto que duraria décadas; My Last Day at Seventeen surgiu durante uma
residência na Irlanda dedicada inicialmente a outro assunto. Nos dois casos, o
que o fotógrafo encontrou pelo caminho acabou sendo mais importante do que
aquilo que poderia ter planejado de antemão.
FOTOGRAFIAS DE ALL THE DAYS AND NIGHTS:
FOTOGRAFIAS DE MY LAST DAY AT SEVENTEEN:
LEITURAS E
VÍDEOS RECOMENDADOS:
- Doug Dubois’s portraits capture the
intimacy of aging and the American family (Artsy, março/2016)
- Doug DuBois on My Last Day at
Seventeen
(Aperture, abril/2018)
- Doug Dubois – Epsiode 13 (Podcast Photowork Foundation,
fev/2025)
- Doug Dubois – my last day at seventeen (Rafael Bosco Vieira, vídeo mostrando as páginas do livro, maio/2021)
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