
“O analfabeto do futuro será a pessoa
que ignorar o uso da câmera tanto quanto o da caneta.” — László Moholy-Nagy
László Moholy-Nagy (1895–1946) foi um artista húngaro que
trabalhou com pintura, fotografia, tipografia, escultura, cinema e design.
Professor da Bauhaus entre 1923 e 1928, fez da fotografia e das experiências
com luz uma parte importante de seu trabalho e de suas ideias sobre a formação
do artista.
Nasceu em Bácsborsód, na atual Hungria, e começou a desenhar
e pintar durante a Primeira Guerra Mundial, quando servia no exército
austro-húngaro. Depois da guerra, aproximou-se das vanguardas europeias e
mudou-se para Berlim em 1920. Três anos depois, Walter Gropius o convidou para
integrar a Bauhaus, onde assumiu o curso preliminar e a oficina de metal. Em
1928, deixou a escola e foi trabalhar em Berlim com fotografia, cinema,
tipografia, publicidade e projetos para o teatro. Com a ascensão do nazismo, deixou
a Alemanha em 1934, passando por Amsterdã e Londres antes de se mudar para os
Estados Unidos em 1937.
Para ele, a fotografia não precisava imitar a pintura ou se
limitar a registrar aquilo que já era visto pelo olho humano. A câmera e os
materiais fotossensíveis permitiam produzir imagens diferentes da percepção
habitual e ampliar as possibilidades da visão. Essas ideias fizeram parte do
que ficou conhecido como Neues Sehen (Nova Visão), uma abordagem
fotográfica associada principalmente às décadas de 1920 e 1930. Entre seus
recursos estavam pontos de vista pouco convencionais: fotografias feitas de
cima ou de baixo, enquadramentos inclinados, cortes radicais, exposições múltiplas
e fotomontagens.
Produziu inúmeros fotogramas, que são imagens realizadas sem
câmera pela exposição de materiais fotossensíveis à luz. A técnica não foi
inventada por ele e era explorada, na mesma época, por Man Ray, que chamava
suas experiências de rayographs. Enquanto Man Ray utilizava o processo
em suas investigações surrealistas, Moholy-Nagy estava interessado nas
possibilidades de manipulação da luz e na criação de composições abstratas.
Objetos transparentes, translúcidos e opacos eram colocados sobre ou próximos
do papel fotográfico, produzindo formas determinadas pela incidência da luz,
pelas sombras e pela distância entre os objetos e a superfície.
Também se interessava pelas possibilidades da fotografia
científica e aérea. Imagens produzidas com microscópios revelavam estruturas
invisíveis a olho nu, enquanto fotografias aéreas apresentavam perspectivas
pouco familiares do espaço. Para ele, esses recursos demonstravam como a
fotografia podia ampliar a percepção humana. Em uma época em que ainda se
discutia a relação entre fotografia e pintura, Moholy-Nagy procurava entender
aquilo que somente a fotografia poderia fazer.
Em 1937, levou suas ideias para os Estados Unidos, onde
assumiu a direção de uma nova escola de design em Chicago. Mas essa história
fica para o próximo post da série Da Bauhaus à fotografia americana.

Círculo Amarelo
(1921)

Construção A II
(1924)

Em 1925, Moholy-Nagy publicou
Painting Photography Film, o oitavo volume da série de livros da Bauhaus. O
livro reunia fotografias, fotogramas, fotomontagens, imagens científicas,
fotografias aéreas e outros exemplos para discutir as possibilidades trazidas
pela fotografia e pelo cinema. Ele defendia que esses novos meios deveriam ser
explorados a partir de suas próprias características, e não utilizados apenas
para reproduzir formas já estabelecidas pelas artes tradicionais.

Light Prop for an Electric Stage (Modulador de Luz-Espaço) (1930). Seu interesse pela luz também resultou no Light Prop for an Electric Stage, conhecido posteriormente como Light-Space Modulator, construído entre 1922 e 1930. A estrutura motorizada, formada por metal, vidro e outros materiais, produzia reflexos, sombras e movimentos quando iluminada. Moholy-Nagy utilizou o aparelho no filme experimental Light Play: Black-White-Gray, de 1930.

Fotograma (1926)

Autorretrato (1926)
LEITURAS E VÍDEOS RECOMENDADOS
- James Welling on László Moholy-Nagy (video de 2016 do LACMA)
- László Moholy-Nagy’s "Light Prop for an Electric Stage (Light-Space Modulator), 1930" (video do Harvard Art Museums, que mostra o Modulador Espacial de Luz em funcionamento, outubro de 2015)
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