Tuesday, October 13, 2026

LÁSZLÓ MOHOLY-NAGY

László Moholy-Nagy – Wikipédia, a enciclopédia livre

“O analfabeto do futuro será a pessoa que ignorar o uso da câmera tanto quanto o da caneta.” — László Moholy-Nagy

László Moholy-Nagy (1895–1946) foi um artista húngaro que trabalhou com pintura, fotografia, tipografia, escultura, cinema e design. Professor da Bauhaus entre 1923 e 1928, fez da fotografia e das experiências com luz uma parte importante de seu trabalho e de suas ideias sobre a formação do artista.

Nasceu em Bácsborsód, na atual Hungria, e começou a desenhar e pintar durante a Primeira Guerra Mundial, quando servia no exército austro-húngaro. Depois da guerra, aproximou-se das vanguardas europeias e mudou-se para Berlim em 1920. Três anos depois, Walter Gropius o convidou para integrar a Bauhaus, onde assumiu o curso preliminar e a oficina de metal. Em 1928, deixou a escola e foi trabalhar em Berlim com fotografia, cinema, tipografia, publicidade e projetos para o teatro. Com a ascensão do nazismo, deixou a Alemanha em 1934, passando por Amsterdã e Londres antes de se mudar para os Estados Unidos em 1937.

Para ele, a fotografia não precisava imitar a pintura ou se limitar a registrar aquilo que já era visto pelo olho humano. A câmera e os materiais fotossensíveis permitiam produzir imagens diferentes da percepção habitual e ampliar as possibilidades da visão. Essas ideias fizeram parte do que ficou conhecido como Neues Sehen (Nova Visão), uma abordagem fotográfica associada principalmente às décadas de 1920 e 1930. Entre seus recursos estavam pontos de vista pouco convencionais: fotografias feitas de cima ou de baixo, enquadramentos inclinados, cortes radicais, exposições múltiplas e fotomontagens.

Produziu inúmeros fotogramas, que são imagens realizadas sem câmera pela exposição de materiais fotossensíveis à luz. A técnica não foi inventada por ele e era explorada, na mesma época, por Man Ray, que chamava suas experiências de rayographs. Enquanto Man Ray utilizava o processo em suas investigações surrealistas, Moholy-Nagy estava interessado nas possibilidades de manipulação da luz e na criação de composições abstratas. Objetos transparentes, translúcidos e opacos eram colocados sobre ou próximos do papel fotográfico, produzindo formas determinadas pela incidência da luz, pelas sombras e pela distância entre os objetos e a superfície.

Também se interessava pelas possibilidades da fotografia científica e aérea. Imagens produzidas com microscópios revelavam estruturas invisíveis a olho nu, enquanto fotografias aéreas apresentavam perspectivas pouco familiares do espaço. Para ele, esses recursos demonstravam como a fotografia podia ampliar a percepção humana. Em uma época em que ainda se discutia a relação entre fotografia e pintura, Moholy-Nagy procurava entender aquilo que somente a fotografia poderia fazer.

Em 1937, levou suas ideias para os Estados Unidos, onde assumiu a direção de uma nova escola de design em Chicago. Mas essa história fica para o próximo post da série Da Bauhaus à fotografia americana.

László Moholy-Nagy. Yellow Circle. 1921 | MoMA

Círculo Amarelo (1921)

László Moholy-Nagy, A II (Construction A II), 1924. Oil and graphite on canvas, 45 5/8 x 53 5/8 inches (115.9 x 136.2 cm)

Construção A II (1924)

László Moholy-Nagy Self-Portrait with HandArt Blart _ art and cultural  memory archive

Em 1925, Moholy-Nagy publicou Painting Photography Film, o oitavo volume da série de livros da Bauhaus. O livro reunia fotografias, fotogramas, fotomontagens, imagens científicas, fotografias aéreas e outros exemplos para discutir as possibilidades trazidas pela fotografia e pelo cinema. Ele defendia que esses novos meios deveriam ser explorados a partir de suas próprias características, e não utilizados apenas para reproduzir formas já estabelecidas pelas artes tradicionais.

László Moholy-Nagy - Light Prop for an Electric Stage (Light-Space  Modulator) - The Metropolitan Museum of Art

Light Prop for an Electric Stage (Modulador de Luz-Espaço) (1930). Seu interesse pela luz também resultou no Light Prop for an Electric Stage, conhecido posteriormente como Light-Space Modulator, construído entre 1922 e 1930. A estrutura motorizada, formada por metal, vidro e outros materiais, produzia reflexos, sombras e movimentos quando iluminada. Moholy-Nagy utilizou o aparelho no filme experimental Light Play: Black-White-Gray, de 1930.

Photogram (1926) by László Moholy-Nagy | Artsy

Fotograma (1926)

László Moholy-Nagy, Untitled (Self-portrait), Dessau 1926, printed 1935. Gelatin silver print of an enlarged photogram, 38 3/16 x 26 3/4 inches (97 x 68 cm)
frame: 39 3/8 inches x 28 1/4 inches x 2 inches (100 x 71.8 x 5.1 cm)

Autorretrato (1926)


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