
Poucos meses depois do fim da Primeira Guerra Mundial, o
arquiteto Walter Gropius fundou a Staatliches Bauhaus na cidade de Weimar, na
Alemanha. Era a união de duas escolas, a Academia de Belas-Artes e a Escola de
Artes e Ofícios, que havia sido dirigida pelo arquiteto e designer belga Henry
van de Velde. A proposta de Gropius era aproximar áreas até então ensinadas de
forma independente, reunindo arte, artesanato e, com o tempo, design,
arquitetura e produção industrial.
A Bauhaus não surgiu isolada das transformações que já
estavam acontecendo na arte e na arquitetura europeias e também não criou o
modernismo, mas teve sua importância pela maneira como reuniu essas ideias
dentro de uma escola. Em vez de organizar o ensino apenas em torno das
belas-artes tradicionais, os alunos passavam por uma formação básica e depois
trabalhavam em oficinas dedicadas a áreas como metal, madeira, cerâmica,
tecelagem, tipografia e pintura mural. A experimentação com materiais e
processos fazia parte do aprendizado.
Entre os professores estiveram alguns dos principais
artistas ligados às vanguardas europeias, como Paul Klee , Wassily Kandinsky,
Josef Albers e Laszló Moholy-Nagy. A própria escola também mudou ao longo do
tempo. A ideia inicial de aproximar arte e artesanato foi gradualmente
acompanhada por um interesse cada vez maior pela indústria e pela possibilidade
de criar objetos funcionais que pudessem ser produzidos em série.
É desse período que vêm muitos dos elementos hoje
associados automaticamente à escola: formas geométricas, linhas simples,
ausência de ornamentação desnecessária e uma preocupação com a relação entre
forma, função e materiais. Móveis, luminárias, edifícios, cartazes e objetos
domésticos passaram a fazer parte de um mesmo projeto de pensar como o design
poderia participar da vida moderna.
De Weimar a Dessau
Pressões políticas levaram ao fechamento da escola em
Weimar em 1925 e ela se transferiu para Dessau, onde Gropious projetou o
edifício que se tornaria uma de suas imagens mais conhecidas (foto do início
desse post).
Gropius deixou a direção em 1928 e foi sucedido por
Hannes Mayer. Em 1930, Ludwig Mies van der Rohe assumiu a escola. Com o
crescimento do nazismo e a pressão política sobre instituições identificadas
com ideias modernistas e de esquerda, a Bauhaus deixou Dessau e tentou
continuar funcionando em Berlim como instituição privada. Durou pouco, no entanto:
sob pressão do regime nazista, em 1933 a escola encerrou definitivamente suas
atividades.
Ironicamente, seu fechamento ajudou a espalhar suas
ideias. Professores e alunos deixaram a Alemanha e seguiram para outros países.
Gropius e Marcel Breuer foram para os Estados Unidos; Mies Van der Rohe também
se estabeleceu no país.
László Moholy-Nagy também seguiu para os Estados Unidos
e, em 1937, fundou em Chicago a New Bauhaus. Embora a escola tenha
existido por pouco tempo com esse nome, o projeto teria continuidade e daria
origem ao Institute of Design, estabelecendo uma ligação entre as
experiências iniciadas na Bauhaus alemã e uma geração importante para o
desenvolvimento da fotografia americana. Será o assunto do nosso próximo post.

Edifício da Escola de
Belas-Artes de Weimar, uma das instituições que deram origem à Bauhaus.
Arquiteto: Henry van de Velde. Foto: Louis Held, c. 1911.

Walter Gropious, 1919. "Não existe diferença essencial entre o artista e o artesão", disse no manifesto da Bauhaus, 1919

Esquema da estrutura de ensino da Bauhaus. Design: Walter Gropius, 1923. Em seu programa para a Bauhaus de Weimar, Walter Gropius propunha um ensino baseado na integração entre arte e artesanato, em métodos criativos e no desenvolvimento individual dos alunos. A escola dispensava requisitos acadêmicos de admissão e aceitava estudantes independentemente de formação, gênero ou nacionalidade.

Foto de grupo dos mestres da Bauhaus em Dessau(1926):
Josef Albers, Hinnerk Scheper, Georg Muche, László Moholy-Nagy, Herbert Bayer,
Joost Schmidt, Walter Gropius, Marcel Breuer, Wassily Kandinsky, Paul Klee,
Lyonel Feininger, Gunta Stölzl und Oskar Schlemmer.
Músicos da banda da Bauhaus, 1930 – não confundir com o grupo inglês formado em 1978, que gravou Dark Entries e teve uma capa de álbum com fotografia de Duane Michals.

Cartão-Postal da
exposição da Bauhaus de 1923, por Paul Haberer
Cartaz da exposição
da Bauhaus em Weimar, 1923. Design: Joost Schmidt.

Estudo de cor e
forma, Joost Schmidt, cerca de 1929-1930

Charleston no alto da
Bauhaus, T. Lux Feininger, 1927

Festa da Bauhaus no
restaurante Ilmschlösschen, próximo a Weimar, em 29 de novembro de 1924. Foto: Louis Held.
LEITURAS RECOMENDADAS:
- Bauhaus Typeface (página do Wikipedia que fala sobre a tipografia da Bauhaus);
- Bauhaus Weimar (Site Bauhaus Kooperation)
- Bauhaus Beginnings (exposição no museu Getty Research
Institute em 2019)
- What was the Bauhaus, anyway? A
brief history of the trailblazing modernist movement (Phaidon)
- Eight things you should know about
the Bauhaus (Max
Mueller Bhavan | Indien)
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