Thursday, January 9, 2025

O olhar transformador de Gordon Parks

 

 "I picked up a camera because it was my choice of weapons against what I hated most about the universe: racism, intolerance, poverty. I could have just as easily picked up a knife or a gun, like many of my childhood friends did, most of whom were murdered or put in prison, but I chose not to go that way. I felt that I could somehow subdue these evils by doing something beautiful that people recognize me by, and thus make a whole new different life for myself." (Gordon Parks)

(post do blog antigo, escrito em 1997)
Gordon Parks foi um fotógrafo, músico, escritor e diretor de cinema americano. Nasceu em 1912 no Kansas. Foi o mais novo de quinze irmãos e seus pais trabalhavam em uma fazenda. Tendo nascido negro e na pobreza, aceitou todo tipo de trabalho que surgia e, entre eles, foi empregado do Minnesota Club, que era um clube de cavalheiros. Ali, além de observar as pessoas de sucesso, ainda tinha a oportunidade de ler os livros da biblioteca do clube. 

Aos vinte e cinco anos, após ver fotos de trabalhadores migrantes em uma revista, Parks comprou sua primeira câmera, uma Voigtlander Brillian e aprendeu sozinho a tirar fotos. Seu primeiro rolo de filme foi tão bom que os laboratoristas que revelaram suas fotos insistiram para que continuasse fotografando e que também enviasse seu trabalho para o dono de uma loja de roupas femininas. Com a ajuda de Marva Louis (mulher do boxeador Joe Louis), Parks se mudou para Chicago e começou um negócio de fotografia. Enquanto fotografava socialites da cidade, também documentava as condições dos pobres dos guetos da região. Em 1941, tornou-se membro da FSA (Farm Security Administration), que tinha um programa de fotografia muito influente com o objetivo de documentar a América Rural. 

Quando esse programa foi interrompido, Parks se tornou fotógrafo de moda freelancer para a Vogue, tendo sido o primeiro fotógrafo negro da história da revista, onde permaneceu por duas décadas. Numa época em que toda fotografia de moda era feita em estúdio, Parks foi um dos primeiros a levar as modelos para as ruas. Antes dele, a fotografia de moda dizia respeito apenas às roupas, mas ele e outros colegas a faziam ser a respeito das mulheres e as vidas que levavam usando essas roupas. Nessa época, Parks chegou a escrever alguns livros onde ensinava técnica fotográfica. 

Nessa época, a segregação racial era rampante nos EUA, mas Parks sempre trilhou seu caminho e venceu os obstáculos. Usou a fotografia para combater o racismo o quanto pôde. 

Entrou para a revista Life em 1948, tendo sido também o primeiro fotógrafo negro de sua história. Cobria todo tipo de assunto, fossem relativos ao racismo e à miséria, fossem sobre esportes, moda ou atualidades. Era um retratista competente, em quem os retratados confiavam, então fez retratos de inúmeras celebridades e personalidades.

Além de fotógrafo notável, Parks foi diretor de cinema e dirigiu, entre outros, o filme Shaft. Era um músico e compositor talentoso que compunha concertos, ballets e sinfonias. Além dos livros sobre técnica fotográfica, escreveu romances, não-ficção, memoirs e poesia. Também pintava e co-fundou a revista Essence. 

Morreu aos 93 anos em Manhattan, vítima de câncer.

1- Government work (FSA/OWI), 1942-44: Com a ajuda do fundo Rosenwald, Parks conseguiu um estágio na Farm Security Administration. Sob a direção de Roy Stryker - responsável pela divisão fotográfica da entidade e mentor de Parks - viajou para Washington D.C., Nova Inglaterra e Nova York. Em 1943, a FSA foi agregada à Office of War Information (OWI), bem como a posição de fotojornalista que Parks ocupava nela. Ali, Parks teve a tarefa de registrar o treinamento do 332nd Fighter Group, conhecido como Tuskegee Airmen, que foram os primeiros pilotos militares afro-americanos nas forças armadas americanas. 
 2- Standard Oil, 1944-48: Em 1944, Roy Stryker - que estava, então, dirigindo um projeto fotodocumentário para a Standard Oil Company of New Jersey - enviou Parks para uma tarefa onde este iria documentar as vantagens do óleo na vida cotidiana de americanos. Esse trabalho levou Parks através da Nova Inglaterra e do Maine, onde ele registrou o trabalho e a vida da família de Hercules Brown, que vendeu produtos Standard Oil em seu armazém geral por vinte anos. Parks também fotografou trabalhadores de fábricas de graxa em Pittsburgh na Pensilvânia e o alcance da Stanrd Oild no oeste do Canadá. 
3- Retratos, 1947-59:
4- Fotografia de moda, 1948-65:
5- Harlem Gang Leader, 1948: A primeira história proposta por Parks para a revista Life foi sobre a guerra de gangues que estava consumindo o Harlem no final da década de 1940. Essas fotografias refletem a ambição de Parks de mostrar a brutalidade do local ao apresentar Red Jackson, um jovem líder de gangue, bem como os membros da mesma, em momentos silenciosos e contemplativos, bem como na intensidade das brigas de rua. As fotos de Parks foram publicadas em um artigo intitulado "Harlem Gang Leader" na edição de 1948 da Life. 
6- Back to Fort Scott, 1950: Em 1950, Gordon Parks se encarregou de uma história a respeito de segregação nas escolas para a Life que o levou para sua cidade natal de Fort Scott, no Kansas, mais de vinte anos depois de tê-la deixado para sempre. Foi um dos primeiros trabalhso de Parks a respeito do começo dos direitos civis e o inspirou a procurar antigos colegas da escola Plaza que era só para negros. Enquanto poucos permaneceram na em Fort Scott, outros seguiram para grandes cidades migratórias como Cleveland, Detroit, Chicago e St. Louis. Parks escreveu um artigo intitulado "Back to Fort Scott" que acabou não sendo publicado por conta de eventos mais notáveis. Acabou, junto com as fotografias feitas no local, arquivado para sempre. 




 8- Metropolitan Missionary Baptist Church, Chicago, 1953:






9- Segregation Story, 1956: É uma seleção de imagens que, posteriormente, se tornou um livro no qual muitas foram publicadas pela primeira vez, da série fotográfica "Restraints: Open and Hidden" de 1956 onde Gordon retratou uma família afro-americana perseverando no sul segregado. Originalmente, foi comissionada para a Life e resultou em centenas de transparências representando um dos primeiros estudos sociais feitos em fotografia colorida. 













10- Flávio, 1961: Gordon Parks fez uma matéria no Rio de Janeiro chamada Flávio, quando esteve no Brasil fazendo uma pauta sobre a pobreza na América Latina. Na favela da Catacumba, conheceu Flávio, um garoto de doze anos que era esquálido, doente e cuidava de sete irmãos mais novos enquanto os pais trabalhavam. Esse encontro mudou a vida de Parks e salvou a de Flávio. Os dois mantiveram contato por muitos anos, Parks chegou a doar uma casa para a família de Flávio e fez um filme sobre ele também. Os dois mantiveram contato e se reencontraram no final da década de 1990, quando Parks foi ao Rio para visitá-lo.
 11- Civil Rights, 1963-70: 







Vídeos interessantes:

  • A máxima fotografia de rua como comentário social // Gordon Parks (Developing Tank):
  • Gordon Parks | 'Segregation Story. Expanded edition' (fotolivro):
  • O que Gordon Parks viu (Nerdwriter):
  • Harlem Gang Leader, 1948:







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