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Sunday, February 8, 2026

WALKER EVANS LAST PHOTOGRAPHS AND LIFE STORIES | MICHAEL LESY

 

“A verdade simples das imagens apresentadas não era tão simples quanto parecia. Significados, crenças e emoções se cruzavam sob a superfície da fotografia mais direta.” – do livro

Embora não seja grande admiradora de Walker Evans, gosto muito da fase com a Polaroid SX-70. Evans passou grande parte de sua vida sendo categórico no desprezo pela fotografia em cores, com argumentos que sempre terminavam com “fotografia colorida é vulgar”. Em 1973, no entanto, quando estava com mais de 70 anos, abraçou essa linguagem e tirou mais de 3000 fotos. Cabe mencionar que a empresa lhe fornecia quantidades inesgotáveis de filme, já que tinha lançado o modelo pouco tempo antes e tinha interesse em associar um nome como o dele à sua marca.

Edmond History Museum

Em seus anos finais, Walker Evans estava doente e deprimido, alternava seu tempo entre sua casa, a universidade, o hospital e uma instituição mental. Teve o estômago removido por conta de úlceras, bebia muito e fumava. Não foi mais o mesmo desde que se separou de Jane Smith Ninas e da morte do escritor James Agee, que ocorreram na década de 1950. Depois de recusar várias vezes, aceitou um convite para dar aula na escola de design da Universidade de Yale, onde era venerado pelos colegas e alunos, que também eram presentes e o ajudavam em sua vida fora da escola. Além de encontrar ali uma comunidade, começou essa empreitada de fotografar com a Polaroid e com isso encontrou um respiro em sua vida.  

O escritor Michael Lesy conheceu Evans em 1973, quando era um jovem professor e os dois se tornaram amigos. Em Last Photographs & Life Stories, Lesy desejou colocar um contexto no trabalho tardio dele, considerado inferior ao que ele passou a vida fazendo com sucesso.  Não chega a ser uma biografia, mas um relato de alguém que fez parte dos anos finais do fotógrafo. Também não se trata de um retrato cor-de-rosa – Lesy fala a real sobre o que Evans viveu nessa época.

Adorei o livro, é muito bonito e bem-produzido com um design simples, elegante, principalmente a tipografia. Lançado em 2022 pela Blast Books, contém 176 páginas, capa dura, tamanho 20 x 25cm. O miolo é impresso em papel Ultramatt 150gsm que é ao mesmo tempo brilhante e aveludado ao toque. Tem fotografias do auge da carreir de Evans, retratos de seus amigos e várias Polaroids onde se pode ver os detalhes – os retratos feitos com ela foram impressos em página inteira. Um excelente livro para conhecer e ter.

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Monday, February 2, 2026

WALKER EVANS (REVISITADO)

Walker Evans – Wikipédia, a enciclopédia livre

“Com a câmera, é tudo ou nada. Ou você consegue imediatamente o que procura, ou o que faz não vale nada.”

Escrevi esse post em 2017, quando comecei a estudar fotógrafos notáveis. Até pouco tempo antes, nunca tinha ouvido falar de Walker Evans, sequer tinha visto algumas de suas fotos mais famosas. Evans foi o pioneiro na tradição documental da fotografia americana, influenciou vários fotógrafos como Frank e Friedlander e, no final de sua vida, foi tratado como celebridade na universidade de Yale, onde deu aulas. Nos deixou como legado, um catálogo visual extraordinário de sua era e teve tantas realizações que é impossível falar dele em um fôlego só!

Walker Evans nasceu em 1903 em Saint Louis, no Missouri, em uma família de classe alta. Seu pai foi um executivo de publicidade que, por conta do trabalho, se mudou com a família para diversas cidades americanas. Evans se instalou em Nova York quando saiu de casa, onde trabalhou na biblioteca pública no turno da noite, mas decidiu partir para Paris por conta de suas aspirações literárias. Voltou depois de um ano e arranjou um emprego em Wall Street.   

Começou na fotografia em 1928, trabalhando como fotógrafo comercial e fotojornalista. Enquanto os Estados Unidos mergulhavam na Grande Depressão, Evans vivia uma fase de sucesso, em especial por seu trabalho para a Farm Security Administration (FSA) – um órgão do governo criado para avaliar a situação das pessoas nas áreas agrícolas e promover seu desenvolvimento. Em 1936, durante uma licença, viajou com o escritor James Agee para Hale County no Alabama, a princípio para fazerem uma matéria para a revista Fortune, que nunca foi publicada. O material produzido por eles se tornou mais tarde o livro Let Us Now Praise Famous Men (Elogiemos Homens Ilustres na Edição Brasileira).

Continuou na FSA até 1938, mesmo ano em que teve sua primeira retrospectiva de carreira, American Photographs, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), que também foi a primeira do museu dedicada a um único fotógrafo. Também em 1938 começou uma investigação social no metrô da cidade, na qual passou três anos fotografando secretamente outros passageiros.

Entre 1940 e 1950, obteve três bolsas Guggenheim, que usou para dar continuidade à documentação da vida das pessoas na América contemporânea, trabalhou para as revistas Time e Fortune e, mais tarde, como professor na escola de arte da Universidade de Yale.

Apesar de ter sido crítico da fotografia colorida, afirmando inúmeras vezes que “cor é vulgar”, começou a usar uma Polaroid SX-70 em 1973, quando estava com 70 anos. Essa nova empreitada proporcionou a Evans uma renovação porque ele estava deprimido desde sua separação de Jane Smith Ninas (apesar de ter começado um novo casamento em 1960) e a morte de James Agee na década de 1950. Além disso, estava doente e debilitado. Foi nessa época que foi convidado para dar aulas em Yale, onde era idolatrado por seus colegas e alunos, presentes em sua vida e que o ajudavam.

Estima-se que Evans tenha tirado mais de 3000 instantâneos com a Polaroid – lembrando que a empresa lhe enviava quantidades inesgotáveis de filme. Nessa fase, sua fotografia é marcada por imagens detalhadas e próximas, algumas até abstratas. Além disso, retratava amigos e conhecidos, tendo preferência por mulheres jovens que queria impressionar em festas, tirava várias fotos delas e só ficava com as que gostava, dando-lhes as demais.

Teve um derrame e morreu em seu apartamento em 1975. Há uma foto dele tirando fotos na rua poucos meses antes de sua morte: enquanto viveu, Evans se dedicou à fotografia. Em 1994 seu acervo foi doado para o Metropolitan Museum de Nova York, o Met, que possui todo seu trabalho com exceção dos negativos da FSA que são de domínio público e estão na Library of Congress.

Evans descrevia seu ato de fotografar como “um interesse na aparência que o presente terá no futuro” e se definia como um fotógrafo documentarista lírico, alguém interessado em imagens exatas e alusivas, objetivas e associativas, livres de inflexão retórica, mas não de compaixão.

Entre seus trabalhos mais notáveis estão:

·       The Crime of Cuba (1933) livro documentário de Carleton Beals sobre a influência dos EUA na ilha na década de 1930. Contém 30 fotografias de Evans – essa foi a única ocasião que ele fotografou fora do seu país.

·       Documentação para FSA;

·       American Photographs: Exposição no MoMA em 1938, que foi sua primeira retrospectiva  de carreira de Evans e também a primeira dedicada a um único fotógrafo no museu. Foi publicado um catálogo dela que ainda pode ser facilmente encontrado.

·       Let us No Praise Famous Men (1941);

·       Retratos no metrô de Nova York (1938-1941);

·       Polaroids.

Walker Evans - Damaged (1928-1930) : r/museumWalker Evans. Penny Picture Display, Savannah. 1936 | MoMAFoto em preto e branco de pessoas andando em frente a estabelecimento comercial

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Walker Evans - [Folk Victorian House, Ocean City, New Jersey] - The  Metropolitan Museum of ArtWalker Evans. Houses, Dorchester, Massachusetts. 1932 | MoMA17 Lessons Walker Evans Has Taught Me About Street Photography - ERIC KIM ₿Torn Movie Poster, Walker Evans  American, Gelatin silver printFoto em preto e branco de gato sentado por cima de entrada de estabelecimento

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto em preto e branco de pessoas na frente de uma loja

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.[Barber Shops, Vicksburg, Mississippi], Walker Evans  American, Gelatin silver printFoto em preto e branco de grupo de pessoas posando para foto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto em preto e branco de cozinha

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto em preto e branco de placa em frente a casa

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Alabama Tenant Farmer Wife, Walker Evans  American, Gelatin silver printAlabama Tenant Farmer, Walker Evans  American, Gelatin silver printWalker Evans – “Many are Called” (1938) – AMERICAN SUBURB XWalker Evans (1903–1975) - The Metropolitan Museum of ArtFoto em preto e branco de homem com a porta aberta

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto preta e branca de pessoas na frente de uma janela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Walker Evans's Typology of the American Worker | The New YorkerWALKER EVANS ET LA PAGE IMPRIMÉE | LE BALMedia Art Net | Evans, Walker: BiographyWalker Evans - [Self-Portrait in New York Hospital Bed, New York City] -  The Metropolitan Museum of ArtWalker Evans - [13 Self-Portraits] - The Metropolitan Museum of Art

Da série 13 Autorretratos (acima)

Walker Evans (American, 1903-1975) 'Self-portrait, Juan-les-Pins, France,  January 1927' 1927Art Blart _ art and cultural memory archiveDavid Simonton — Self Portrait, Rhode Island, 1933, Photo by Walker...17 Lessons Walker Evans Has Taught Me About Street Photography - ERIC KIM ₿Walker Evans's 'Counter-Aesthetic' (2003) – AMERICAN SUBURB XWalker Evans: Last Photographs & Life Stories | Photo ArticleFoto de uma pessoa olhando para a câmera

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Uma imagem contendo pessoa, homem, segurando, janela

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 LEITURAS E VÍDEOS RECOMENDADOS:

Sunday, March 2, 2025

ANDRÉ KERTÉSZ

 

"I'm an amateur and intend to stay that way for the rest of my life." (André Kertész)

(escrito originalmente no blog antigo, postado em 2017)
André Kertész nasceu em 1894 em Budapeste, no Império Austro-Húngaro e morreu aos 91 anos em Nova York. Era de uma família judaica de classe média e, com a morte de seu pai, quem passou a sustentar sua família foi o irmão de sua mãe. Kertesz, a mãe e os irmãos, então, se mudaram para a propriedade de campo do tio no interior do país. A vontade dele era que Kertész fosse trabalhar na bolsa de valores depois que se formasse, mas o interesse de Kertész sempre foi o lazer e as artes. O primeiro contato que teve com fotografia de revista o inspirou a aprender o ofício e ele foi um autodidata. 

Em 1912, após juntar dinheiro, Kertész comprou sua primeira câmera, uma ICA Box e, em seu tempo livre, fotografava mendigos, ciganos e as paisagens das planícies húngaras. Suas primeiras fotos foram publicadas pela revista Érdekes Úgsag durante a 1ª Guerra, enquanto o fotógrafo servia o exército de seu país. Tirou fotos nas trincheiras mas muitas foram destruídas na revolução húngara em 1919.

Devido à crise política e a chegada do comunismo, Kertész decidiu que emigraria para a França para estudar em alguma escola de fotografia mas acabou ficando por causa de sua mãe. Alguns anos depois, porém, em 1925, deixou a família e a noiva para trás e se mudou para a França. A partir daí obteve algum sucesso comercial e de crítica em vários países europeus.

Com a tensão pelo crescimento do nazismo e a perseguição aos judeus, Kertész e a esposa emigraram para Nova York (1936). Sua adaptação foi pior do que imaginava pois fôra privado da companhia de seus amigos artistas ao mesmo tempo em que descobriu que os americanos não gostavam de ser fotografados nas ruas. Após contatar o diretor de fotografia do MoMA, conseguiu que algumas de suas fotos fossem colocadas em uma exposição. Trabalhou para revistas como a Harper's Bazaar e Town & Country.

Em 1941, Kertész e a esposa foram denominados inimigos por causa da 2ª Guerra e ele foi proibido de fotografar nas ruas e de fazer qualquer projeto ligado à segurança nacional. Para evitar problemas, já que sua esposa tinha começado uma empresa de cosméticos, ele desapareceu do mundo fotográfico por algum tempo.

Em 1946 fez um contrato de longa duração com a revista House and Garden que o pagava bem e o permitiu fotografar casas e lugares notáveis tanto nos EUA quanto no exterior e ele, então, pôde viajar, retomar antigas amizades e fazer novas também. A revista publicou mais de três mil fotos de Kertész e ele, com isso, ganhou boa reputação. Entre 1927 e 2012, teve seu trabalho exibido em várias cidades e lançou dezenas de livros. 

Kertész era relativamente desconhecido e raramente citado, especialmente por trabalhar mais nos bastidores, o que fez com que passasse sua vida achando que nunca teve o devido reconhecimento. Segundo ele, apesar de ter obtido prêmios e ter tido seu trabalho exposto, só veio a ter reviews positivos após expor no Instituto de Arte de Chicago em 1946. Hoje em dia, Kertész é considerado o pai do fotojornalismo e até Cartier-Bresson disse que devemos muito a ele. Aos 90 foi questionado por que ainda fotografava e respondeu que ainda estava faminto.



























Algumas polaroids (ver vídeo abaixo):












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