Thursday, April 23, 2026

ALFRED STIEGLITZ

Alfred Stieglitz | Object:Photo | MoMA

“A fotografia me fascinou primeiro como uma brincadeira, mas tornou-se uma paixão e depois uma obsessão”.

Alfred Stieglitz (1864-1946) foi um fotógrafo e promotor de arte norte-americano que, em seus mais de cinquenta anos de carreira, foi instrumental para tornar a fotografia uma forma de arte aceitável. Foi associado ao movimento pictorialista na Europa, depois nos Estados Unidos. Tinha o verdadeiro espírito renascentista em plena modernidade e cultivava uma série de vocações: era, além de um exímio fotógrafo, escritor, editor de revista, mentor e ficou conhecido pelas galerias de arte que manteve em Nova York no início do século XX, através das quais introduziu uma série de artistas europeus de vanguarda ao público americano. Seu nome era respeitado tanto no mundo da arte moderna quanto na fotografia e, apaixonado e contraditório, inspirava amor e ódio em medidas iguais.

Nasceu em Hoboken, Nova Jersey, filho de imigrantes judeus alemães. Preparou-se para estudar engenharia, mas seu pai fechou os negócios que tinha nos EUA e transferiu a família para a Alemanha. Stieglitz matriculou-se na escola técnica de Berlim, onde teve seu primeiro contato com revelação fotográfica, mas em vez de se dedicar ao curso, passava o tempo visitando museus e galerias. Comprou sua primeira câmera e começou a fotografar. Quando seus pais retornaram aos Estados Unidos, Stieglitz, com vinte anos, ficou na Europa, viajando pelo continente e fotografando. Nesse período, envolveu-se com o pictorialismo e se tornou o primeiro membro americano da Linked Ring.

Voltou para os Estados Unidos em 1890 e, após um breve envolvimento com o Camera Club de Nova York, fundou o movimento americano de Foto-Secessão para, além de definir os rumos da fotografia artística, libertá-la das amarras restritivas da época e do domínio do clube. Após a consolidação do movimento, passou a atuar de forma mais decisiva como articulador cultural. Em 1903, criou a revista Camera Work, que rapidamente se tornou o principal veículo de difusão da fotografia como arte nos Estados Unidos. Com o apoio de Edward Steichen, abriu a galeria 291, incialmente dedicada somente à fotografia, mas que passou a expor também arte moderna europeia, introduzindo ao público do país nomes como Henri Matisse, Pablo Picasso e Paul Cézanne. Após o encerramento da 291 em 1917, manteve outros espaços expositivos como a Intimate Gallery e An American Place, continuando a promover artistas e a consolidar a fotografia no circuito institucional.

Sua produção fotográfica passou por mudanças que o afastaram do pictorialismo em direção a uma abordagem direta, o que se intensificou após seu contato com Paul Strand, a quem dedicou o último número inteiro da Camera Work. Stieglitz casou-se com Georgia O’Keeffe em 1924 e promoveu intensamente suas obras nas décadas seguintes. Apesar de ter desejado ser conhecido como fotógrafo, grande parte de sua energia foi dedicada à organização e promoção da fotografia e arte moderna. A coleção de Stieglitz foi a base do acervo de arte moderna do Metropolitan Museum of Art. Ao longo de sua trajetória, Stieglitz desempenhou papel central na legitimação da fotografia como forma de arte nos Estados Unidos. 

Autorretrato, 1886

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The Last Joke, Bellagio (Itália),1887. Foi sua primeira fotografia a ter um reconhecimento porque ganhou a competição da revista britânica Amateur Photographer.

Alfred Stieglitz. The Terminal. 1893 | MoMA

The Terminal, 1893

Alfred Stieglitz Key Set | National Gallery of Art

A wet day on the boulevard, Paris, 1894

ALFRED STIEGLITZ (1864–1946), A Venetian Gamin, 1894 | Christie's

A Venetian Gamin, 1894.

Stieglitz photograph of a Dutch fishing boat.

Unloading, 1894. Uma série menos conhecida de Stieglitz foi a de barcos de pesca na costa da Holanda, em Katwyjk. Ele tirou essas fotos durante sua lua-de-mel na Europa com sua primeira esposa. 

Gossip—Katwyk by Alfred Stieglitz

Gossip, 1894

The Net Mender, 1894

A wet day on the boulevard, Paris, 1894

Alfred Stieglitz | Reflections, Venice (1897) | Artsy

Reflections, Venice, 1897.

Capa da publicação Camera Work nº2, de abril de 1903 

Alfred Stieglitz. The Steerage. 1907 | MoMA

A terceira classe, 1907.

Alfred and Kitty Stieglitz, 1907 – pode ser de Stieglitz ou de Steichen

Frank Eugene, Alfred Stieglitz, Heinrich Kuhn e Edward Steichen admirando uma obra de Eugene, 1907.

Alfred Stieglitz - A Snapshot, Paris - The Metropolitan Museum of Art

Paris, a snapshot, 1911

Alfred Stieglitz - Two Towers - New York - The Metropolitan Museum of Art

Two Towers, New York, 1911 

alfred-stieglitz-grand-central-terminal-1929-image-via-pinterestcom – 4.341  INTRO TO PHOTOGRAPHY AND RELATED MEDIA

Grand Central Terminal, New York, 1930

Sparks fly between Georgia O'Keeffe and Alfred Stieglitz

Georgia O’Keeffe, 1920

Understanding Georgia O'Keeffe and Alfred Stieglitz - Artsper Magazine

Com Georgia O’Keeffe

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Sunday, April 19, 2026

GRANDES FOTÓGRAFOS ENTRE FRASES E IMAGENS (ZINE) | VOLUME 1

No final de 2025 fiz uma zine para minha amiga que é apaixonada por gatos e tive uma ideia desafiadora: fazer outras 26 em 2026. Listei as que queria fazer e anotei as possíveis que iam me ocorrendo. Tive um grande aprendizado com os softwares necessários e muitas, muitas brigas com a impressora de casa, mas as zines estão saindo e acho que já fiz umas doze. 

A maioria delas é sobre coisas pessoais: minhas cachorras, histórias do passado,uma zine mensal etc, mas desde o começo queria fazer algo relacionado ao meu estudo de fotografia. 

Sempre gostei muito de frases, a ponto de ter cadernos só para elas (copiadas à mão) na adolescência. Do amor pela fotografia eu nem preciso falar, basta ler as coisas que compartilho nesse blog e no Instagram (me segue: @gigivisacri). Também sou muito interessada em biografias, mesmo que muito reduzidas como optei por usar na zine: tão importante quanto aprender a técnica que um fotógrafo usaou para tirar a foto da qual todo mundo lembra é entender como ele chegou lá. Qual sua história de vida? O que leva tantos a dedicarem décadas ao seu ofício? Como começaram? Sim, é importantíssimo aprender a técnica, mas também as lições deixadas pelos verdadeiros mestres.

Friday, April 17, 2026

ROBERT MAPPLETHORPE

 Robert Mapplethorpe, 'Portrait, No.I' © Norman Seeff at Proud Galleries

"Sou obcecado pela beleza. Quero que tudo seja perfeito e, claro, não é. E é um lugar difícil de se estar porque você nunca fica satisfeito."

Robert Mapplethorpe (1946-1989) foi um fotógrafo americano conhecido por seus retratos, nus e naturezas-mortas marcados pelo rigor estético e por referências à tradição clássica. Sua obra explora o corpo, a sexualidade e a identidade e, ao longo de sua carreira, tornou-se uma figura central na fotografia contemporânea, tanto pelo refinamento visual quanto pelos debates que seu trabalho provocou sobre censura e liberdade artística.

Nascido no Queens, em Nova York, e criado em uma família católica, estudou design e artes e, no início de sua trajetória, dedicou-se à criação de joias, desenhos e colagens, que tinham como inspiração artistas como Marcel Duchamp e Joseph Cornell. Comprou uma Polaroid com o objetivo de incorporar fotos suas nessas colagens, mas raramente fazia isso. Aos poucos a fotografia deixava de ser um suporte para se tornar o centro de sua prática. Sua primeira exposição individual foi realizada na galeria Light, em 1973, na qual essas Polaroids foram exibidas. Foi nesse período que conheceu a cantora Patti Smith, com quem foi morar no Chelsea Hotel, um conhecido reduto de artistas.

A partir da segunda metade da década e 1970, se envolveu cada vez mais com a cena underground de Nova York, em especial com a cultura BDSM e passou a produzir um trabalho que confrontava os limites do que era aceitável no campo artístico. Se envolveu com Sam Wagstaff, que tinha o dobro de sua idade, e foi um grande mentor e patrocinador do seu trabalho. O apoio financeiro de Wagstaff permitiu a Mapplethorpe expandir sua prática fotográfica para incluir retratos de famosos da época, como músicos, artistas e socialites. 

Na década de 1980 fez um projeto em colaboração com a fisioculturista Lisa Lyon, que resultou em um filme e no livro Lady Lisa Lyon (1983). Nele, o corpo feminino aparece simultaneamente como escultura e performance. Também realizou The Black Book, um conjunto de fotografias de homens negros que foi alvo de críticas, tanto por questões raciais quanto pela objetificação de seus corpos. Colaborou para a revista Interview, de Andy Warhol, tirando fotos que ilustraram algumas matérias. Mapplethorpe transitava entre o underground explícito e o establishment artístico e midiático e isso fortaleceu seu trabalho.

Foi diagnosticado com AIDS em 1986, quando acelerou seu esforço criativo para dar continuidade a seus projetos. Nessa época se destacou por suas belas naturezas-mortas e autorretratos. Contratou uma jornalista para escrever sua biografia e criou a fundação Robert Mapplethorpe para ser “o veículo apropriado para proteger seu trabalho, dar continuidade a sua visão criativa e promover causas com as quais se importava”. Essa fundação cuida de seu acervo e já arrecadou e doou milhões de dólares para pesquisa e luta contra a AIDS. Em 2011, doou seu acervo para o Getty Research Institute. Mapplethorpe faleceu em 1989, aos 42 anos, em decorrência de complicações da doença.

Logo após sua morte, foi realizada a exposição The Perfect Moment, que continha fotografias do X Portfolio e foi um episódio explosivo na história da arte recente dos EUA. Quando a exposição chegou ao Contemporary Arts Center, em 1990, grupos conservadores e religiosos atacaram publicamente o uso de verba pública para financiar instituições que exibissem esse tipo de trabalho.

Deixou como legado a consolidação da fotografia de estúdio marcada pelo rigor na forma, composição e luz, aproximando a tradição clássica a temas contemporâneos. Seus retratos, nus e naturezas-mortas operam sob a mesma lógica formal, estabelecendo uma unidade rara na produção fotográfica. Ao levar para o centro do circuito artístico imagens de sexualidade explícita, ajudou a normalizar esses temas como parte legítima da arte, não como exceção. Sua atuação também reforçou a presença das fotografias no mercado e nas instituições, contribuindo para sua legitimação como linguagem central na arte contemporânea. 

COM PATTI SMITH: 

The Life of Robert Mapplethorpe Seen Through 8 Key Moments

Robert Mapplethorpe and Patti Smith, New York, 1969, Patti with Cigarette -  Holden Luntz Gallery

Patti Smith and Robert Mapplethorpe - Interview Magazine

COLAGENS:

1965-73

Robert Mapplethorpe | Collage (1968) | MutualArt

1968

Robert Mapplethorpe | Freaks (1968) | MutualArt

1968

Mapplethorpe in Paris - Photographs byRobert Mapplethorpe | LensCulture

50GreatestConcerts: Patti Smith Group and Television, 1975

Horses [Disco de Vinil]: Amazon.com.br: CD e Vinil

Patti Smith em 1975

 

 RETRATOS:

Robert Mapplethorpe | Grace Jones (1988 shot -1992 print) | Artsy

Grace Jones

Collection Spotlight: Patti Smith, Robert Mapplethorpe - Stories From The  Block

Patti Smith

BBC Arts - BBC Arts - Laid bare: The playful side of Robert Mapplethorpe

Madeleine Stowe 

Robert Mapplethorpe: Portraits | San José Museum of Art

Iggy Pop

Robert Mapplethorpe | Holden Luntz Gallery     

Jordana, 1983

Ken Moody, 1983 © Robert Mapplethorpe Foundation. Used by permission

Ken Moody, 1983

Robert Mapplethorpe: Portraits | San José Museum of Art

Donald Cann, 1982

Robert Mapplethorpe – Border Crossings Magazine

Andy Warhol, 1987

LISA LYON

Robert Mapplethorpe | Lisa Lyon (1984) | ArtsyRobert Mapplethorpe | Lisa Lyon (1982) | MutualArtRobert Mapplethorpe. Lisa Lyon. 1980 | MoMAROBERT MAPPLETHORPE (1946-1989), Lisa Lyon, 1982 | Christie's

 

FLORES

Portfolio - Portfolios - Mapplethorpe FoundationPortfolio - Portfolios - Mapplethorpe FoundationTime Melts Away in the Flower Portraits of Robert Mapplethorpe - ELEPHANTOrchid by Robert Mapplethorpe | National Galleries of ScotlandFlower | International Center of PhotographyPortfolio - Portfolios - Mapplethorpe Foundation

AUTORRETRATOS:

Robert Mapplethorpe | Self Portrait | The Guggenheim Museums and FoundationSelf-Portrait by Robert Mapplethorpe (1986) – Masters of PhotographyRobert Mapplethorpe. Self-Portrait. 1980 | MoMASelf Portrait by Robert Mapplethorpe | National Galleries of Scotland 

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