Eugene, Stieglitz, Kuhn and Steichen admiring the
work of Frank Eugene. 1907
“A fotografia americana será o tom dominante do mundo, a
não ser que os outros se mexam.” Declarou Alfred Horsley Hinton (1863-1908),
fotógrafo inglês e editor da revista Amateur Photographer a complementando que
as fotografias da Fotossecessão, sob a batuta de Alfred Stieglitz, já tinham
conquistado os lugares mais altos na estima do mundo civilizado.
Alfred Stieglitz (1864-1946) foi o responsável por criar um
movimento americano de Secessão, com a intenção de oferecer à fotografia
artística um rumo a seguir. Os fotossecessionistas acreditavam que o significado
dela não estava em sua realidade objetiva, mas na visão subjetiva do fotógrafo.
Tinham como propósito mostrar que a fotografia era uma entidade autônoma que não
deveria imitar a arte do passado, mas ser a forma de arte principal do século
XX e além.
Em 1890, Stieglitz retornou aos EUA após sua temporada na
Europa e tornou-se editor da revista American Amateur Photographer,
vice-presidente do Camera Club de Nova York e, dentro dele, editor da Camera
Notes, em parte financiada por ele próprio. Não demorou para começar a ter
atritos com outros gestores do clube e ele renunciou à sua diretoria depois de
alguns anos. Quando isso aconteceu, já tinha se cercado de um grupo que o
apoiava, com nomes como Edward Steichen (1879-1973), Frank Eugene (1865-1936) e
Alvin Langdon Coburn (1882-1966), Clarence H. White (1871-1925), e Gertrude
Kasebier (1852-1934).
Em 1902 produziu uma exposição intitulada “Fotografia
Pictorialista Americana Organizada pela Fotossecessão” e foi a primeira vez que
esse nomo foi usado em público para definir o grupo. Lançou então a revista
Camera Work para acompanhar o movimento, publicando seu primeiro número no ano
seguinte.
A Camera Work era financiada, editada e projetada, em grande
parte pelo próprio Stieglitz, com contribuição criativa de Steichen, que tinha
bons contatos e boas ideias. A revista era finamente produzida, com
fotogravuras das ilustrações preparadas à mão e tinha preço elevado. Começou
com uma tiragem de 1000 cópias, mas quando a arte moderna começou a tomar o
lugar da fotografia pictórica em suas páginas, a tiragem teve que ser reduzida
pela metade. Quando fechou, a revista tinha apenas 36 assinantes.
Em outubro de 1910, a galeria de arte Albright, em Buffalo,
Nova York, exibiu a aclamada “Exposição Internacional de Fotografia
Pictorialista”, com trabalhos de 600 fotógrafos, em sua maioria eram membros da
Fotossecessão, que atraiu 15 mil visitantes em um mês. A galeria também comprou
fotografias do movimento para a sua coleção, sendo a primeira instituição
americana a fazê-lo.
A estética em evolução de Stieglitz o levou rumo à vanguarda
europeia e ele voltou-se ao modernismo, ao cubismo e ao expressionismo na arte
e, com isso, afastando-se do pictorialismo na fotografia. Entre 1909 e 1917,
apenas seis das 61 exposições na sua galeria 291 apresentaram fotografias. Os
grupos secessionistas europeus começaram a se fragmentar e a 1ª Guerra tornou
difícil a compra de material para produzir a revista. Camera Work teve apenas
mais uma edição que apresentou as fotografias puras e diretas de Paul Strand,
que em nada se comparavam às suas origens pictorialistas.
Alfred Stieglitz (1864-1946) – autorretrato em autocromo,
1907. Foi um dos nomes mais influentes da fotografia. Além de exímio fotógrafo
foi dono de galerias que introduziram a arte de vanguarda europeia nos Estados
Unidos, editou a revista Camera Work e fundou o movimento de
Fotossecessão.
Edward J. Steichen (1879-1973) era associado próximo de Stieglitz e trouxe uma perspectiva única para o movimento de Fotossecessão. Além de fotógrafo era também pintor, o que influenciou seu estilo.
Clarence H. White (1871-1925) cresceu no interior de Ohio,
nos EUA e, mesmo tendo sido autodidata no aprendizado da fotografia, se tornou
em pouco tempo conhecido por suas fotografias pictorialistas. Em 1914, fundou a
Clarence H. White School of Photography em Nova York e teve alunos como Paul
Outerbridge e Dorothea Lange.
Gertrude Kasebier (1852-1934) é considerada uma das
principais representantes do pictorialismo. Foi conhecida por suas imagens da
maternidade e retratos de nativos-americanos e um dos destaques da primeira
edição da revista Camera Work.
Alvin Langdon Coburn, autorretrato, 1905. Superou os limites da fotografia com suas “vortografias”, consideradas uma das primeiras fotografias abstratas. Foi introduzido a essa ideia pelo crítico literário Ezra Pound e ela consistia em usar o que Pound chamou de “Vortoscópio”, um arranjo triangular de espelhos e prismas colocado na frente da lente da câmera e, se afastando da representação fotográfica tradicional, enfatizava a forma, estrutura e abstração. Sua experimentação com essa técnica foi o primeiro passo que o afastou do pictorialismo.
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