
“Tenho
interesse em mostrar um assunto de uma maneira diferente, intensificando sua
expressão.”
Harry Callahan (1912–1999) foi um fotógrafo americano que,
ao longo de quase seis décadas, produziu retratos, paisagens, cenas urbanas e
imagens abstratas. Sua obra é marcada pela experimentação com composição, luz,
cor e diferentes técnicas fotográficas.
Nasceu em Detroit, Michigan, e começou a fotografar como
amador em 1938, enquanto trabalhava na Chrysler. Autodidata, frequentava um
clube de fotografia onde, em 1941, assistiu a uma palestra de Ansel Adams que
transformou sua maneira de compreender a fotografia. Em 1946, foi convidado por
László Moholy-Nagy para ensinar no Institute of Design, em Chicago.
Posteriormente, dirigiu o departamento de fotografia da Rhode Island School of
Design (RISD), onde lecionou até 1977.
Sua esposa Eleanor, a filha Barbara, as ruas de Detroit e
Chicago e a natureza constituíram os principais assuntos de sua obra.
Utilizando diferentes câmeras e formatos de filme, experimentava exposições
múltiplas, desfoques, movimentos de câmera e composições abstratas. Embora não
tenha inventado esses procedimentos, incorporou-os a uma prática fotográfica
marcada pela experimentação constante.
Eleanor, com quem se casou em 1936, foi fotografada durante
décadas em retratos, nus, paisagens e composições experimentais. A partir de
1950, com o nascimento de Barbara, a filha também passou a aparecer nas
imagens. Em Pleasures and Terrors of Domestic Comfort, Peter Galassi observa
que Eleanor, assim como Georgia O’Keeffe nas fotografias de Alfred Stieglitz,
frequentemente aparece menos como esposa em seu cotidiano do que como uma
figura idealizada. Assim, embora fotografasse a própria família, seu interesse
nem sempre estava em documentar a vida doméstica.
Nas ruas, explorava a relação entre pedestres, edifícios,
sombras e formas geométricas. Na natureza, árvores, galhos e paisagens se
transformavam em estudos de linhas e texturas. Também começou a trabalhar com
fotografia colorida ainda na década de 1940, explorando luzes noturnas,
vitrines e exposições múltiplas. Mais tarde, utilizou o processo de impressão
dye transfer, que permitia maior controle sobre as cores.
Seu trabalho foi apresentado no MoMA em 1948, na exposição Photographs
by Bill Brandt, Harry Callahan, Ted Croner and Lisette Model, e novamente em
1962, ao lado de Robert Frank. Em 1972, o museu organizou uma retrospectiva de
sua obra. Recebeu a National Medal of Arts em 1996 e morreu em Atlanta, em
1999, aos 86 anos.
A importância de sua obra está menos na criação de técnicas
inéditas do que na liberdade com que as utilizou. Callahan não procurou
estabelecer um estilo único: fez da experimentação uma prática contínua,
abordagem que também marcaria sua atuação como professor e sua influência sobre
as gerações seguintes de fotógrafos americanos.

Detroit, 1943. O
trabalho mais inicial de Callahan mostra o impacto de duas de suas maiores
influências: Moholy-Nagy e Ansel Adams. Como o primeiro, ele experimentava com
múltiplas exposições para criar efeitos surrealistas.

Detroit, 1943

Eleanor, Chicago,
1948

Eleanor, 1949

Chicago, 1950

Eleanor, Chicago,
1951

Eleanor, 1953

Eleanor e Barbara,
1953
Eleanor e Barbara,
Chicago, 1953

Eleanor e Bárbara,
1954

Chicago, 1960

Cape Cod, 1972

Cape Cod, 1974

Nova York, 1975

Providence, 1978

Providence, 1979

Irlanda, 1979

Kansas City, 1981
LEITURAS E VÍDEOS RECOMENDADOS:
- Série Grandes Fotógrafos: Harry Callahan (Thales Trigo, out/2017)
- Harry Callahan (matéria da Artforum divulgando uma exposição com seu trabalho que ocorreu entre 2011 e 2012)
- 7 Lessons Harry Callahan has taught
me about street photography and life (Eric Kim, post de 2015)
- Photographs by Bill Brandt, Harry Callahan, Ted Croner, Lisette Model (exposição realizada no MoMA em 1948)
- Harry Callahan and Robert Frank (exposição realizada no MoMA em 1962)
- Harry Callahan (retrospectiva de carreira realizada no MoMA em 1972)
- Harry Callahan (Página na Fundación Mapfre)
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