Tuesday, February 24, 2026

STANLEY KUBRICK ANTES DE HOLLYWOOD

Stanley Kubrick, Photojournalist | New Beverly Cinema

“Fiquei na Look por quatro anos, até os 21. E, naturalmente, esse teria sido o período em que eu estaria na faculdade. Estou convencido de que o que aprendi e a experiência prática que adquiri nesses quatro anos superaram o que eu poderia ter aprendido na universidade.”

 

Stanley Kubrick (1928-1999) teve uma carreira brilhante como diretor de cinema que, de tão bem-sucedida, ofuscou os anos que trabalhou como fotojornalista quando era jovem.

Nascido em Nova York em uma família de imigrantes russos, Kubrick ganhou sua primeira câmera de seu pai, um médico e fotógrafo amador entusiasmado. Era péssimo aluno e dava sinais claros que não seguiria a carreira do pai, enquanto jogava xadrez nos parques e clubes de Manhattan para ganhar uns trocados e aprendia a fotografar.

Vendeu uma fotografia para a Look por 25 dólares que foi publicada. A Look foi uma revista de variedades que existiu entre 1937 e 1971. Começou como uma espécie de tabloide, mas depois da II Guerra passou a ser mais orientada para a família, com histórias de interesse humano e estilo de vida. Empregou pessoas como Paul Fusco, Tony Vaccaro e Charlotte Brooks e mostrava uma Nova York vibrante e diversa.

Kubrick entrou como aprendiz na revista em 1946 e foi contratado como fotógrafo pouco tempo depois. Permaneceu nela até 1950 e praticamente tudo o que se conhece da sua fotografia diz respeito ao trabalho que fez ali. Tirava fotos para todo tipo de reportagem e muitas dessas histórias eram inusitadas, como a de pessoas em uma sala de espera de dentista, crianças entediadas enquanto suas mães fazem compras e a multidão vista de dentro da jaula de um macaco no zoológico.

Kubrick ficou logo conhecido por sua capacidade de contar histórias com imagens e era respeitado pelos seus colegas, chegando a ser o assunto de uma pequena reportagem falando do talento um jovem fotógrafo. Além disso, essas reportagens provam que é possível tornar algo banal em uma história cativante para o leitor. Era comum que Kubrick Kubrick tirasse uma quantidade grande de fotografias para uma matéria e isso demonstrava sua inclinação para o cinema: ele tinha interesse em capturar a continuidade da ação e, ao tirar muitas fotos, conseguia uma sequência linear nas suas histórias. Ainda assim, quase todas as suas fotos são impactantes mesmo quando vistas isoladamente.

Ao longo de sua jornada na Look, Kubrick se interessava cada vez mais em se tornar diretor de filmes. Em 1949, trabalhou em uma reportagem de vinte páginas sobre o jovem boxeador Walter Cartier. Dois anos depois Kubrick lançou um curta sobre ele chamado Day of the Fight. Após deixar a revista, teve uma carreira estelar no cinema, onde inovou no uso de equipamentos e na maneira de contar histórias. Dirigiu filmes que são cultuados até hoje como 2001, Laranja Mecânica, Full Metal Jacket e o Iluminado, além da parceria que fez com o saudoso Peter Sellers em Lolita e Dr. Strangelove.

SOB OUTRA PERSPECTIVA

Entre 2018 e 2019, o Museu da Cidade de Nova York - que possui boa parte do material fotográfico de Kubrick em seu acervo - realizou a exposição Through a Different Lens – Stanley Kubrick Photographs, exibindo mais de 120 fotografias da sua época trabalhando na Look. Essas imagens mostram o glamour, a dureza e a tenacidade da cidade nos anos 1940 e os passos de um jovem fotógrafo na direção de se tornar um dos maiores diretores de cinema do século XX. 

Um catálogo de mesmo nome foi publicado pela Taschen com 327 páginas e mais de 300 fotografias de Stanley Kubrick na Look – muitas de reportagens que não chegaram a aparecer nas páginas da revista. Entre as excelentes matérias publicadas, encontram-se temas mais diversos como o circo, corrida de cavalos, boxeadores, celebridades e até um garoto que trabalhava como engraxate, que Kubrick tirou fotos para uma matéria mostrando um dia em sua vida.

Quando se trata de livros em tamanho maior, a Taschen costuma acerta e com Through a Different Lens não foi diferente. O livro tem capa dura, mais de 300 fotos – algumas inéditas - tipografia e design impactantes e dá aos leitores uma boa cronologia de Stanley Kubrick antes do cinema.  

Foto em preto e branco de homem na frente de uma parede de tijolos

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Stanley Kubrick: From 17-Year-Old Photography Prodigy to Master Film Director;

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sunday, February 8, 2026

WALKER EVANS LAST PHOTOGRAPHS AND LIFE STORIES | MICHAEL LESY

 

“A verdade simples das imagens apresentadas não era tão simples quanto parecia. Significados, crenças e emoções se cruzavam sob a superfície da fotografia mais direta.” – do livro

Embora não seja grande admiradora de Walker Evans, gosto muito da fase com a Polaroid SX-70. Evans passou grande parte de sua vida sendo categórico no desprezo pela fotografia em cores, com argumentos que sempre terminavam com “fotografia colorida é vulgar”. Em 1973, no entanto, quando estava com mais de 70 anos, abraçou essa linguagem e tirou mais de 3000 fotos. Cabe mencionar que a empresa lhe fornecia quantidades inesgotáveis de filme, já que tinha lançado o modelo pouco tempo antes e tinha interesse em associar um nome como o dele à sua marca.

Edmond History Museum

Em seus anos finais, Walker Evans estava doente e deprimido, alternava seu tempo entre sua casa, a universidade, o hospital e uma instituição mental. Teve o estômago removido por conta de úlceras, bebia muito e fumava. Não foi mais o mesmo desde que se separou de Jane Smith Ninas e da morte do escritor James Agee, que ocorreram na década de 1950. Depois de recusar várias vezes, aceitou um convite para dar aula na escola de design da Universidade de Yale, onde era venerado pelos colegas e alunos, que também eram presentes e o ajudavam em sua vida fora da escola. Além de encontrar ali uma comunidade, começou essa empreitada de fotografar com a Polaroid e com isso encontrou um respiro em sua vida.  

O escritor Michael Lesy conheceu Evans em 1973, quando era um jovem professor e os dois se tornaram amigos. Em Last Photographs & Life Stories, Lesy desejou colocar um contexto no trabalho tardio dele, considerado inferior ao que ele passou a vida fazendo com sucesso.  Não chega a ser uma biografia, mas um relato de alguém que fez parte dos anos finais do fotógrafo. Também não se trata de um retrato cor-de-rosa – Lesy fala a real sobre o que Evans viveu nessa época.

Adorei o livro, é muito bonito e bem-produzido com um design simples, elegante, principalmente a tipografia. Lançado em 2022 pela Blast Books, contém 176 páginas, capa dura, tamanho 20 x 25cm. O miolo é impresso em papel Ultramatt 150gsm que é ao mesmo tempo brilhante e aveludado ao toque. Tem fotografias do auge da carreir de Evans, retratos de seus amigos e várias Polaroids onde se pode ver os detalhes – os retratos feitos com ela foram impressos em página inteira. Um excelente livro para conhecer e ter.

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Monday, February 2, 2026

WALKER EVANS (REVISITADO)

Walker Evans – Wikipédia, a enciclopédia livre

“Com a câmera, é tudo ou nada. Ou você consegue imediatamente o que procura, ou o que faz não vale nada.”

Escrevi esse post em 2017, quando comecei a estudar fotógrafos notáveis. Até pouco tempo antes, nunca tinha ouvido falar de Walker Evans, sequer tinha visto algumas de suas fotos mais famosas. Evans foi o pioneiro na tradição documental da fotografia americana, influenciou vários fotógrafos como Frank e Friedlander e, no final de sua vida, foi tratado como celebridade na universidade de Yale, onde deu aulas. Nos deixou como legado, um catálogo visual extraordinário de sua era e teve tantas realizações que é impossível falar dele em um fôlego só!

Walker Evans nasceu em 1903 em Saint Louis, no Missouri, em uma família de classe alta. Seu pai foi um executivo de publicidade que, por conta do trabalho, se mudou com a família para diversas cidades americanas. Evans se instalou em Nova York quando saiu de casa, onde trabalhou na biblioteca pública no turno da noite, mas decidiu partir para Paris por conta de suas aspirações literárias. Voltou depois de um ano e arranjou um emprego em Wall Street.   

Começou na fotografia em 1928, trabalhando como fotógrafo comercial e fotojornalista. Enquanto os Estados Unidos mergulhavam na Grande Depressão, Evans vivia uma fase de sucesso, em especial por seu trabalho para a Farm Security Administration (FSA) – um órgão do governo criado para avaliar a situação das pessoas nas áreas agrícolas e promover seu desenvolvimento. Em 1936, durante uma licença, viajou com o escritor James Agee para Hale County no Alabama, a princípio para fazerem uma matéria para a revista Fortune, que nunca foi publicada. O material produzido por eles se tornou mais tarde o livro Let Us Now Praise Famous Men (Elogiemos Homens Ilustres na Edição Brasileira).

Continuou na FSA até 1938, mesmo ano em que teve sua primeira retrospectiva de carreira, American Photographs, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), que também foi a primeira do museu dedicada a um único fotógrafo. Também em 1938 começou uma investigação social no metrô da cidade, na qual passou três anos fotografando secretamente outros passageiros.

Entre 1940 e 1950, obteve três bolsas Guggenheim, que usou para dar continuidade à documentação da vida das pessoas na América contemporânea, trabalhou para as revistas Time e Fortune e, mais tarde, como professor na escola de arte da Universidade de Yale.

Apesar de ter sido crítico da fotografia colorida, afirmando inúmeras vezes que “cor é vulgar”, começou a usar uma Polaroid SX-70 em 1973, quando estava com 70 anos. Essa nova empreitada proporcionou a Evans uma renovação porque ele estava deprimido desde sua separação de Jane Smith Ninas (apesar de ter começado um novo casamento em 1960) e a morte de James Agee na década de 1950. Além disso, estava doente e debilitado. Foi nessa época que foi convidado para dar aulas em Yale, onde era idolatrado por seus colegas e alunos, presentes em sua vida e que o ajudavam.

Estima-se que Evans tenha tirado mais de 3000 instantâneos com a Polaroid – lembrando que a empresa lhe enviava quantidades inesgotáveis de filme. Nessa fase, sua fotografia é marcada por imagens detalhadas e próximas, algumas até abstratas. Além disso, retratava amigos e conhecidos, tendo preferência por mulheres jovens que queria impressionar em festas, tirava várias fotos delas e só ficava com as que gostava, dando-lhes as demais.

Teve um derrame e morreu em seu apartamento em 1975. Há uma foto dele tirando fotos na rua poucos meses antes de sua morte: enquanto viveu, Evans se dedicou à fotografia. Em 1994 seu acervo foi doado para o Metropolitan Museum de Nova York, o Met, que possui todo seu trabalho com exceção dos negativos da FSA que são de domínio público e estão na Library of Congress.

Evans descrevia seu ato de fotografar como “um interesse na aparência que o presente terá no futuro” e se definia como um fotógrafo documentarista lírico, alguém interessado em imagens exatas e alusivas, objetivas e associativas, livres de inflexão retórica, mas não de compaixão.

Entre seus trabalhos mais notáveis estão:

·       The Crime of Cuba (1933) livro documentário de Carleton Beals sobre a influência dos EUA na ilha na década de 1930. Contém 30 fotografias de Evans – essa foi a única ocasião que ele fotografou fora do seu país.

·       Documentação para FSA;

·       American Photographs: Exposição no MoMA em 1938, que foi sua primeira retrospectiva  de carreira de Evans e também a primeira dedicada a um único fotógrafo no museu. Foi publicado um catálogo dela que ainda pode ser facilmente encontrado.

·       Let us No Praise Famous Men (1941);

·       Retratos no metrô de Nova York (1938-1941);

·       Polaroids.

Walker Evans - Damaged (1928-1930) : r/museumWalker Evans. Penny Picture Display, Savannah. 1936 | MoMAFoto em preto e branco de pessoas andando em frente a estabelecimento comercial

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Da série 13 Autorretratos (acima)

Walker Evans (American, 1903-1975) 'Self-portrait, Juan-les-Pins, France,  January 1927' 1927Art Blart _ art and cultural memory archiveDavid Simonton — Self Portrait, Rhode Island, 1933, Photo by Walker...17 Lessons Walker Evans Has Taught Me About Street Photography - ERIC KIM ₿Walker Evans's 'Counter-Aesthetic' (2003) – AMERICAN SUBURB XWalker Evans: Last Photographs & Life Stories | Photo ArticleFoto de uma pessoa olhando para a câmera

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