W. Eugene Smith chegou em Pittsburgh em 1955, para o que
seria seu primeiro trabalho pela Magnum. O historiador Stefan Lorant tinha sido
contratado por líderes comerciais e cívicos locais para fazer um livro
comemorativo dos 200 anos da cidade e precisava de um profissional para fazer
as fotos.
Pelo acordo, Smith deveria ter entregado 100 fotografias a
Lorant em três semanas, porém passou esse período lendo sobre Pittsburgh e
andando por suas ruas sem ter nada para apresentar ao final. Os dois se
desentenderam – algo que era comum na vida profissional de Smith e que tinha
sido motivo de vários rompimentos anteriores. Smith entregou, então, as fotos
devidas assim que pôde e encerrou o acordo que tinha com Lorant, mas permaneceu
na cidade. Obteve duas bolsas do Guggenheim Fellowship e se dedicou a trabalhar
nesse projeto da forma como o tinha vislumbrado. Passou um ano por lá, voltando
duas vezes e, com isso, produziu mais de 13 mil negativos.
A partir de 1956, Smith e a Magnum começaram a procurar
potenciais publicadoras e muitas revistas estavam interessadas. Mais uma vez,
Smith queria ter o controle editorial da história e rejeitou essas ofertas.
Cedeu somente quando não teve escolha por estar com muitas dívidas e a matéria
foi, então, publicada no anuário da Popular Photography de 1958. Mesmo a
revista tendo aceitado que Smith determinaria como as coisas seriam, ele ficou
devastado quando viu essa publicação, por considerar que o resultado ficou
diferente demais do que pretendia.
Publicado em 2001 pela University of Chicago Press, Dream
Street foi uma tentativa do editor Sam Stephenson de reunir o melhor
que W. E. Smith produziu em Pittsburgh. As fotografias mostram uma cidade
vibrante e próspera, com a abordagem humanista que sempre marcou sua obra.
Ainda assim, a escolha consciente de tom e contraste faz com que muitas imagens
pareçam noturnas, mesmo quando feitas à luz do dia. Esse visual confere às
fotografias uma densidade emocional constante.
Embora tenha deixado um legado imensurável com sua obra, W.
Eugene Smith era uma pessoa de personalidade e trato difíceis e com uma
trajetória nada linear de carreira. Teve conflitos com as pessoas envolvidas na
maioria dos trabalhos que fez, sofreu consequências negativas por sua
investigação jornalística e viveu à beira da falência. Longe de ser um livro
essencial da sua obra, Dream Street é uma boa referência do que se passava em
sua vida na época que foi feito – é um livro que fica mais interessante ao saber
seu contexto do que ao simplesmente olhar a sequência de imagens.
Leia mais sobre o fotógrafo nesse post de janeiro de 2025.
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