Monday, January 5, 2026

DREAM CITY | W. EUGENE SMITH

 

W. Eugene Smith chegou em Pittsburgh em 1955, para o que seria seu primeiro trabalho pela Magnum. O historiador Stefan Lorant tinha sido contratado por líderes comerciais e cívicos locais para fazer um livro comemorativo dos 200 anos da cidade e precisava de um profissional para fazer as fotos.

Pelo acordo, Smith deveria ter entregado 100 fotografias a Lorant em três semanas, porém passou esse período lendo sobre Pittsburgh e andando por suas ruas sem ter nada para apresentar ao final. Os dois se desentenderam – algo que era comum na vida profissional de Smith e que tinha sido motivo de vários rompimentos anteriores. Smith entregou, então, as fotos devidas assim que pôde e encerrou o acordo que tinha com Lorant, mas permaneceu na cidade. Obteve duas bolsas do Guggenheim Fellowship e se dedicou a trabalhar nesse projeto da forma como o tinha vislumbrado. Passou um ano por lá, voltando duas vezes e, com isso, produziu mais de 13 mil negativos.

A partir de 1956, Smith e a Magnum começaram a procurar potenciais publicadoras e muitas revistas estavam interessadas. Mais uma vez, Smith queria ter o controle editorial da história e rejeitou essas ofertas. Cedeu somente quando não teve escolha por estar com muitas dívidas e a matéria foi, então, publicada no anuário da Popular Photography de 1958. Mesmo a revista tendo aceitado que Smith determinaria como as coisas seriam, ele ficou devastado quando viu essa publicação, por considerar que o resultado ficou diferente demais do que pretendia.

Publicado em 2001 pela University of Chicago Press, Dream Street foi uma tentativa do editor Sam Stephenson de reunir o melhor que W. E. Smith produziu em Pittsburgh. As fotografias mostram uma cidade vibrante e próspera, com a abordagem humanista que sempre marcou sua obra. Ainda assim, a escolha consciente de tom e contraste faz com que muitas imagens pareçam noturnas, mesmo quando feitas à luz do dia. Esse visual confere às fotografias uma densidade emocional constante.

Embora tenha deixado um legado imensurável com sua obra, W. Eugene Smith era uma pessoa de personalidade e trato difíceis e com uma trajetória nada linear de carreira. Teve conflitos com as pessoas envolvidas na maioria dos trabalhos que fez, sofreu consequências negativas por sua investigação jornalística e viveu à beira da falência. Longe de ser um livro essencial da sua obra, Dream Street é uma boa referência do que se passava em sua vida na época que foi feito – é um livro que fica mais interessante ao saber seu contexto do que ao simplesmente olhar a sequência de imagens. 

Leia mais sobre o fotógrafo nesse post de janeiro de 2025.


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