Sunday, January 4, 2026

THE BIRMINGHAM PROJECT | DAWOUD BEY

Dawoud Bey, Full Frame: On Richmond's Trail of the Enslaved - The New York  Times

“Tinha muita coisa que eu não sabia para chegar em Birmingham e fazer um trabalho com base no que eu sabia”

Em 1964, os pais do fotógrafo Dawoud Bey (1953-) foram a um evento em sua igreja no Queens para ouvir o escritor James Baldwin em um ato público pelos direitos civis. Levaram para casa um livro que estava sendo vendido no local para angariar fundos, The Movement – Documentário de uma Luta por Igualdade de Lorraine Hansberry.

Uma imagem em particular abalou profundamente Bey: a foto da menina Sarah Jean Collins em uma cama de hospital, ferida e com ambos os olhos cobertos com curativos. No ano anterior, no dia 15 de setembro, tinha ocorrido um ataque a bomba à Igreja Batista da rua 16 em Birmingham, no Alabama. Membros da Ku Klux Klan plantaram bastões de dinamite ligados a um temporizador sob as escadas do templo. Vinte pessoas ficaram feridas e quatro meninas morreram, uma delas era a irmã de Sarah Jean que sobreviveu, mas perdeu parcialmente a visão.

Sarah Jean Collins, Birmingham church bombing survivor, 1963

Frank Dandridge – Time & Life Pictures

Bey conta que um dia, quando já era adulto, acordou sobressaltado com essa fotografia na mente e lembrou do atentado, sentindo que precisava ir a Birmingham confrontar essa história. Até então, não sabia quase nada a respeito do lugar, sequer tinha estado lá.

Durante seis anos, fez inúmeras visitas à cidade, dedicando tempo especialmente ao Instituto de Direitos Civis que possuía um arquivo extenso sobre o ataque de 1963. Em sua pesquisa, descobriu que além da trágica morte das quatro meninas, dois adolescentes negros foram brutalmente assassinados após a explosão. Seu projeto, então, visava homenagear os seis jovens vitimizados nesse dia.  

Deparou-se, então, com a questão: como trazer o passado para os dias atuais de forma palpável? Como materializar a breve existência dessas pessoas?

Decidiu fazer retratos de adolescentes negros, meninos e meninas que tivessem a mesma idade deles. Seu objetivo era criar uma presença concreta desses jovens nos dias atuais, mostrando o quanto havia sido perdido com as suas mortes. Além disso, fotografou adultos negros, homens e mulheres que tinham a idade deles em 1963, para dar uma ideia de como aqueles jovens seriam hoje se suas vidas não tivessem sido interrompidas. Para sinalizar a passagem do tempo, Bey montou dípticos com a fotografia de um jovem ao lado da foto de um adulto do mesmo sexo e escolheu dois lugares historicamente significativos para fazer essas imagens: a Igreja Batista História Bethel e o Museu de Arte de Birmingham.

O museu, de antemão, já havia se interessado em financiar esse trabalho com o objetivo de realizar em suas dependências uma exposição na conclusão dele. Bey passou seis meses fazendo os retratos. Foi preciso colocar anúncios em jornais locais, pequenos negócios e nas redes sociais para conseguir as pessoas com as características que precisava. Dezenas de pessoas foram fotografadas, era preciso que cada uma das fotos fortalecesse o seu par. Para facilitar o processo, tirou instantâneos que o ajudaram a ir montando o quebra-cabeça. No final, tinha 16 pares de fotos que funcionaram.

No ano que a exposição ocorreu, 2013, havia-se completado cinquenta anos desde que o atentado ocorreu. Além da exposição, Bey produziu o vídeo 9.15.63 e um livro foi publicado pelo museu. Em 2023, The Birmingham Project foi revisitado tendo uma nova exposição e foi lançada uma nova edição do livro.

The Birmingham Project | Amazon.com.brDawoud Bey: The Birmingham Project | George Eastman MuseumDawoud Bey PhotographsReimagining History: Dawoud Bey in conversation with Jason Moran and Sarah  Broom | Whitney Museum of American ArtDawoud Bey's 'The Birmingham Project' is returning to the Birmingham Museum  of Art - al.comDawoud Bey: The Birmingham Project Revisited – SHOP ARTS BMA

 

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