Friday, January 2, 2026

TINA BARNEY

Mulher posando para foto em frente a espelho

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“Meu conselho para um fotógrafo iniciante é: sente-se com papel e lápis e pense sobre o que é a sua vida. Sobre quem você é. Nem pegue numa câmera antes de descobrir isso.”

Conhecida por suas fotografias coloridas em grande formato,  que mostram a complexidade das relações interpessoais de seus familiares e amigos afluentes, Tina Barney fotografa esse universo desde a década de 1970. Suas imagens integram coleções como as do Eastman Museum, MoMA, Barbican Art Centre entre outros. Obteve uma bolsa Guggenheim em 1991 e recebeu o prêmio Lucie Award for Achievement in Portraiture em 2010.

Nascida em Nova York em 1945, Tina Isles teve contato com a fotografia desde cedo. Sua mãe, Lillian Fox, foi uma modelo famosa na década de 1940 e seu avô era um ávido fotógrafo amador que tirava fotos dela e seus irmãos sempre que os encontrava.

Ainda jovem, estudou história da arte na Spence School e também em Florença, onde teve contto aprofundado com a arte renascentista italiana e pintura holandesa do século XVII – referências que mais tarde se tornariam centrais em sua prática fotográfica.

Em 1966, se casou com John Joseph Barney, passando a dividir a vida entre Nova York e Rhode Island. O casal teve dois filhos. Por sugestão de um amigo, Barney entrou para o conselho júnior do MoMA e se voluntariou para trabalhar no departamento de fotografia, então dirigido por John Szarkowski. Até aquele momento, não conhecia nada do assunto, mas, seguindo a tradição da família de colecionar arte, comprou suas primeiras fotografias, dando preferência para fotógrafos americanos no século XX como Robert Frank, Walker Evans e Imogen Cunningham.

Com os filhos pequenos, a família se mudou para Sun Valley, Idaho, onde permaneceu até 1983, passando os verões na Costa Leste. O isolamento geográfico causou um afastamento do circuito artístico, já que a cidade remota, com menos de dois mil habitantes tinha como atração principal uma estação de esqui. Ainda assim, havia um centro de artes local que permitiu a ela estudar com fotografia Peter Lory e Mark Klett, além de workshops com fotógrafos convidados como Duane Michals e Ralph Gibson.

Foi nesse período que começou a fotografar em preto-e-branco, utilizando uma Pentax 35mm e revelando suas próprias imagens.

Durante as férias na Costa Leste, teve a oportunidade de ser uma observadora dos costumes e tradições locais, com o distanciamento de alguém que havia se afastado daquela realidade cotidiana. Foi nesse contexto que começou a tirar fotografias de seus familiares e amigos e fez sua transição para cor.

No início, suas imagens tinham um caráter mais espontâneo, mas, com o tempo, passou a rearranjar cenários e dirigir as pessoas fotografadas para alcançar o resultado desejado. Essa prática era influenciada pela pintura holandesa e renascentista italiana. Barney afirma que o simples ato de dizer a alguém o que fazer em uma fotografia casual já implica em uma forma de direção. Suas imagens transitam entre o cândido e o tableau-vivant (quadro-vivo), mas diferentemente da tradição desses, não criava cenários artificiais, utilizando sempre os ambientes reais que os sujeitos se encontravam. Em meados de 1980, passou a usar uma câmera de grande formato equipada com uma lente de 90mm e a fazer impressões em tamanho grande (120 x 150cm).

Após retornar a Nova York, separou-se do marido. Sua carreira foi impulsionada quando o MoMA incluiu a fotografia Sunday New York Times na exposição Big Pictures by Contemporary Photographers, em 1983, incorporando a obra ao acervo da instituição. Nessa época também começou a fazer trabalhos editoriais para revistas e marcas famosas.

Muitos críticos acusam a obra de Tina Barney de ostentar a riqueza de seu universo social de forma quase confrontacional. Ela, no entanto, afirma nunca ter pensando em sua produção em termos de classe social ou no possível impacto dessas imagens sobre o observador. Para ela, tratava-se simplesmente de retratar a própria comunidade, motivada por um interesse genuíno nas pessoas e em seus rituais sociais. Também insiste que jamais teve a intenção de criticar esse modo de vida.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão:

The Theater of Manners: livro que consolidou seu reconhecimento como parte de um grupo de fotógrafos associados a uma abordagem cinematográfica da fotografia, ao lado de nomes como Annie Leibovitz, Larry Sultan e Jeff Wall.

The Europeans: conjunto de fotografias realizadas na Itália, Áustria, Inglaterra e outros países entre 1996 e 2004. O acesso à elite europeia foi possibilitado por sua rede de contatos. A série deu origem a uma exposição no Frist Art Museum, em Nashville, em 2015.

Players: obra em que se afasta parcialmente dos retratos familiares para fotografar bastidores e produções diversas, como desfiles de moda, circo e teatro. Adota uma estética mais casual, sem perder a força visual característica de seu trabalho.

Athletic Rituals: série de fotografias esportivas que também funcionam como uma exploração da paisagem.

Family Ties: Em 2024, foi convidada por Quentin Bajac para realizar uma retrospectiva de carreira no Jeu de Paume, instituição da qual ele se tornou diretor após passagens pelo Musée d’Orsay e pelo MoMA. A exposição marcou 40 anos de carreira e foi acompanhada pelo lançamento de um livro publicado pela Aperture.

Além da fotografia, dirigiu curtas-metragens como Tilting at Space, sobre a fotógrafa Jen Groover, e Horst, dedicado ao fotógrafo Horst P. Horst.

Foto em preto e branco de pessoas na frente de uma casa

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Homem de terno e gravata ao lado de garrafa

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O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Pessoas sentadas ao redor de uma mesa

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