“Nunca tenho a intenção de
fazer declarações nas minhas fotografias. As pessoas dizem: ‘O que isso ou
aquilo significa?’. Eu não tenho uma boa resposta para elas. Você vê o que você
vê.”
Helen Levitt foi uma
fotógrafa de rua cujo trabalho teve como tema central a vida nos bairros
residenciais mais pobres de Manhattan, como o Spanish Harlem, o Lower East Side
e o Garment District. Uma das figuras mais importantes de sua época, ficou
especialmente associada às imagens de crianças brincando ou envolvidas em jogos,
que eram um tema recorrente ao longo de sua trajetória.
Nasceu no Brooklyn, NY, em
1913 em uma família de imigrantes judeus russos. Começou a fotografar quando conseguiu
um emprego de assistente em um estúdio de fotografia no Bronx. Frequentou o Workers
Film and Photography League e deu aula no Federal Art Project, um programa do
New Deal de Roosevelt. Nesse período, voltou seu olhar para os desenhos de giz
feitos nas calçadas e para as próprias crianças que os criavam.
Em 1937, conheceu Walker
Evans e passou a acompanhá-lo em suas incursões pelo metrô de Nova York, onde
ele registrava secretamente outros passageiros — há inclusive um retrato dela
nessa série. Não demorou para que começasse a produzir suas próprias imagens no
transporte público, mas, ao contrário de Evans, não escondia a câmera e suas
fotografias revelam justamente essa relação direta com os retratados. Com
incentivo dele, seguiu trabalhando nas ruas e, em 1939, participou da exposição
inaugural do recém-criado departamento de fotografia do MoMA. Sua primeira
exposição individual aconteceu em 1943, também no MoMA, com imagens feitas
durante uma viagem para o México, para onde embarcou inspirada por um breve
encontro com Cartier-Bresson.
Nas décadas seguintes,
trabalhou com produção de filmes e documentários. Em 1959 e 1960, recebeu duas
bolsas Guggenheim, que utilizou para iniciar sua investigação da fotografia de
rua em cores. Naquela época, a fotografia só era reconhecida como arte quando
feita em preto-e-branco, pois a cor era associada à publicidade impressa. Já na década de 1970, voltou ao metrô, agora
registrando um ambiente informal, marcado pela presença de graffiti.
Levitt viveu sempre em Nova
York e teve uma carreira ativa por mais de setenta anos. Lamentava as mudanças
culturais que observou ao longo desse período: “as crianças passavam mais tempo
nas ruas, que agora estão vazias. As pessoas estão dentro de casa,
provavelmente assistindo TV”.
Morreu em 2009, aos 95 anos,
em sua casa. Deixou uma marca como uma grande fotógrafa de rua interessada em
mostrar aquilo que pouco atraía o olhar documental tradicional: a complexidade
da vida dos mais pobres e suas pequenas alegrias cotidianas, em uma época em
que era quase obrigatório enfatizar pobreza, tristeza e privação. Não se
interessava por acontecimentos extraordinários, mas pela vida comum. Para
Levitt, a rua era como um palco onde tudo acontecia. Dizia que seu trabalho era
desprovido de sentimentalismo e de significado político e, quando questionada
se gostava de crianças, dizia apenas que as fotografava porque estavam ali.
VÍDEOS RECOMENDADOS:
LEITURAS RECOMENDADAS:
- Helen Levitt: Ruas de Nova York de 1938 a 1990 (Exposição de retrospectiva de carreira na Fondation Henri Cartier-Bresson em Paris em 2007);
- 7 Coisas que Helen Levitt me ensinou sobre fotografia de rua (Eric Kim);
- Helen Levitt (Film Still Photography);