

“Meu conselho para um fotógrafo iniciante é: sente-se com
papel e lápis e pense sobre o que é a sua vida. Sobre quem você é. Nem pegue
numa câmera antes de descobrir isso.”
Conhecida por suas
fotografias coloridas em grande formato, que mostram a complexidade das relações
interpessoais de seus familiares e amigos afluentes, Tina Barney fotografa esse
universo desde a década de 1970. Suas imagens integram coleções como as do
Eastman Museum, MoMA, Barbican Art Centre entre outros. Obteve uma bolsa
Guggenheim em 1991 e recebeu o prêmio Lucie Award for Achievement in
Portraiture em 2010.
Nascida em Nova York em 1945,
Tina Isles teve contato com a fotografia desde cedo. Sua mãe, Lillian Fox, foi
uma modelo famosa na década de 1940 e seu avô era um ávido fotógrafo amador que
tirava fotos dela e seus irmãos sempre que os encontrava.
Ainda jovem, estudou história
da arte na Spence School e também em Florença, onde teve contto aprofundado com
a arte renascentista italiana e pintura holandesa do século XVII – referências que
mais tarde se tornariam centrais em sua prática fotográfica.
Em 1966, se casou com John
Joseph Barney, passando a dividir a vida entre Nova York e Rhode Island. O
casal teve dois filhos. Por sugestão de um amigo, Barney entrou para o conselho
júnior do MoMA e se voluntariou para trabalhar no departamento de fotografia,
então dirigido por John Szarkowski. Até aquele momento, não conhecia nada do assunto,
mas, seguindo a tradição da família de colecionar arte, comprou suas primeiras
fotografias, dando preferência para fotógrafos americanos no século XX como
Robert Frank, Walker Evans e Imogen Cunningham.
Com os filhos pequenos, a
família se mudou para Sun Valley, Idaho, onde permaneceu até 1983, passando os
verões na Costa Leste. O isolamento geográfico causou um afastamento do
circuito artístico, já que a cidade remota, com menos de dois mil habitantes
tinha como atração principal uma estação de esqui. Ainda assim, havia um centro
de artes local que permitiu a ela estudar com fotografia Peter Lory e Mark
Klett, além de workshops com fotógrafos convidados como Duane Michals e Ralph
Gibson.
Foi nesse período que começou
a fotografar em preto-e-branco, utilizando uma Pentax 35mm e revelando suas
próprias imagens.
Durante as férias na Costa
Leste, teve a oportunidade de ser uma observadora dos costumes e tradições locais,
com o distanciamento de alguém que havia se afastado daquela realidade cotidiana.
Foi nesse contexto que começou a tirar fotografias de seus familiares e amigos
e fez sua transição para cor.
No início, suas imagens
tinham um caráter mais espontâneo, mas, com o tempo, passou a rearranjar
cenários e dirigir as pessoas fotografadas para alcançar o resultado desejado.
Essa prática era influenciada pela pintura holandesa e renascentista italiana. Barney
afirma que o simples ato de dizer a alguém o que fazer em uma fotografia casual
já implica em uma forma de direção. Suas imagens transitam entre o cândido e o
tableau-vivant (quadro-vivo), mas diferentemente da tradição desses, não criava
cenários artificiais, utilizando sempre os ambientes reais que os sujeitos se
encontravam. Em meados de 1980, passou a usar uma câmera de grande formato equipada
com uma lente de 90mm e a fazer impressões em tamanho grande (120 x 150cm).
Após retornar a Nova York,
separou-se do marido. Sua carreira foi impulsionada quando o MoMA incluiu a
fotografia Sunday New York Times na exposição Big Pictures by Contemporary
Photographers, em 1983, incorporando a obra ao acervo da instituição. Nessa
época também começou a fazer trabalhos editoriais para revistas e marcas
famosas.
Muitos críticos acusam a obra
de Tina Barney de ostentar a riqueza de seu universo social de forma quase
confrontacional. Ela, no entanto, afirma nunca ter pensando em sua produção em
termos de classe social ou no possível impacto dessas imagens sobre o observador.
Para ela, tratava-se simplesmente de retratar a própria comunidade, motivada
por um interesse genuíno nas pessoas e em seus rituais sociais. Também insiste
que jamais teve a intenção de criticar esse modo de vida.
Entre seus trabalhos mais
conhecidos estão:
The Theater of Manners: livro que consolidou seu reconhecimento como parte de
um grupo de fotógrafos associados a uma abordagem cinematográfica da
fotografia, ao lado de nomes como Annie Leibovitz, Larry Sultan e Jeff Wall.
The Europeans: conjunto de fotografias realizadas na Itália, Áustria,
Inglaterra e outros países entre 1996 e 2004. O acesso à elite europeia foi
possibilitado por sua rede de contatos. A série deu origem a uma exposição no
Frist Art Museum, em Nashville, em 2015.
Players: obra em que se afasta parcialmente dos retratos
familiares para fotografar bastidores e produções diversas, como desfiles de
moda, circo e teatro. Adota uma estética mais casual, sem perder a força visual
característica de seu trabalho.
Athletic Rituals: série de fotografias esportivas que também funcionam
como uma exploração da paisagem.
Family Ties: Em 2024, foi convidada por Quentin Bajac para realizar
uma retrospectiva de carreira no Jeu de Paume, instituição da qual ele se
tornou diretor após passagens pelo Musée d’Orsay e pelo MoMA. A exposição
marcou 40 anos de carreira e foi acompanhada pelo lançamento de um livro
publicado pela Aperture.
Além da fotografia, dirigiu
curtas-metragens como Tilting at Space, sobre a fotógrafa Jen Groover, e Horst,
dedicado ao fotógrafo Horst P. Horst.



















VÍDEOS EM DESTAQUE:
LEITURAS RECOMENDADAS: